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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A FESTA DO BRUXO DE CONCEPCIÓN

Bem concorrido foi o lançamento de “O Bruxo de Concepción”, que é o quarto livro de contos  publicados por Augusto Pellegrini.
O evento ocorreu sábado (30/07) com a realização da Satchmo Produções no bar Cumidinha de Buteko, no Cohajap, e contou com um grupo entusiasmado por literatura e  pela boa música.
Augusto leu excertos de contos que compõem o livro, o qual está assentado sobre a atmosfera do realismo fantástico. São estórias que ressaltam a fervilhante imaginação do autor, que nos confronta a todo o momento com o sobrenatural, o imponderável ou absurdo, mas sempre alinhavando as estórias com senso de humor que deixam a atmosfera do livro leve e convidativo ao leitor.
Foi nesse clima que o livro “O Bruxo de Concepción” veio a público.
Para complementar uma noite que já era muito agradável, Pellegrini apresentou um pocket show onde não faltaram os standards do jazz bem cantados e que foi acompanhado pelo grupo Arpège com Júlio Marins, na guitarra, Celson Mendes no violão e Miranda Neto no trompete. Se não fosse pouco, a noite festiva ainda contou com a participação especial dos esplendidos cantores Anna Claudia, Adão Camilo e Milla Camões. Era visível a felicidade de todos que lá estiveram.

Por: Celijon Ramos

                                           Augusto Pellegrini e Miila Camões
                                        Augusto Pellegrini, Isabella Limenzo e Zuila Pereira 
                                                    Celson Mendes



                                                                         Júlio Marins
                                           Miranda Neto

                                                     Anna Claúdia
                                          Luís Bencice e Júlio Marins
                                                    Adão Camilo
                                          Jadiel Alves e Augusto Pellegrini
                                                    Milla Camões
                                       Celijon Ramos, Luís Bencice e Jadiel Alves
                          Fafá Lago, Luís Bencice, Augusto Pellegrini, Larissa Raposo e Celijon 
                                           Iraci Pellegrini e Augusto Pellegrini
                                           Ronald Almeida e Augusto Pellegrini
                                           Augusto Pellegrini e Érico Cordeiro
                                          Fafá Lago e Celijon Ramos (Produtores)
                                          Augusto Pellegrini e Vânia Barros
                                          Rita Cardoso e Yandy Montardy
                                           Félix Alberto e Celijon Ramos
                                          Marjorie e Paulo Pellegrini

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PROGRAMA SEXTA JAZZ DE HOJE TERÁ PARTICIPAÇÃO DE ÉRICO CORDEIRO, AUTOR DE CONFESSO QUE OUVI.


O programa Sexta Jazz, apresentado por Augusto Pellegrini, vai ao ar hoje às 20 horas pela Rádio FM Universidade e contará com participação especial de Érico Cordeiro, timoneiro há mais de um ano do prestigiado blog JAZZ + BOSSA + BARATOS OUTROS.
Os dois mestres do jazz comentarão o livro recém lançado Confesso Que Ouvi de Érico, de onde serão retirados todos os temas ouvidos no programa. O livro nos torna mais próximo do jazz, a partir de resenhas de discos e das histórias contadas pelo autor sobre a vida dos monstros sagrados do gênero musical, além de trazer à luz outros grandes músicos que ficaram injustamente esquecidos pelo tempo.
Você pode acompanhar o programa também pela internet através do link: http://www.universidadefm.ufma.br/radio_online.htm.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

AUGUSTO PELLEGRINI, PERTENCES DA CASA E ADÃO CAMILO NA NOITE DO MARISCO


AUGUSTO PELLEGRINI E TRIO: UMA NOITE DE JAZZ, MPB E OUTRAS BOSSAS

Ao que me lembre, Augusto Pellegrini e Trio realizam a maior temporada de um artista em casas de espetáculo, em São Luís.
O grupo está em cartaz há cinco meses no bar Marisco, apresentando um show alegre e bem estruturado com um repertório cuja grande marca é a diversidade de estilos.
É um convite certeiro para o entretenimento daqueles que não abrem mão de grandes momentos culturais. Augusto
nos brinda com sua bonita voz em interpretações de standards do jazz de deixar o queixo caído. Mas não só. É que a noite segue com o artista cantando o melhor que a pop music dos anos 60/70 produziu em arranjos vertidos ao estilo jazzístico. Compõem ainda o show blocos musicais que incluem a bossa nova e a MPB de finos tratos. Se você ainda não viu esse show, saiba que é imperdível. (Por Celijon Ramos).

O QUÊ: AUGUSTO PELLEGRINI & TRIO – jazz, mpb, bossa e pop.
QUANDO: Sexta (20/08), a partir das 21:30h.
ONDE: Marisco (Lagoa da Jansen, na rua da boate Red)
Couvert R$ 10,00 ­- Reservas: 32689271
REALIZAÇÃO: Satchmo Produções (81278879 e 81278837)

PERTENCES DA CASA: UM ENCANTO DE ARTES

Se você é daqueles que gostam de divertimento aliado a uma boa gastronomia, seu lugar é no bar e restaurante Marisco.
Aos sábados, a partir das 13h, o restaurante oferece aos seus clientes o Pertences da Casa, onde a atração principal é a deliciosa feijoada regada à boa música e outras artes.
A idéia é associar a culinária da casa, sabidamente apetitosa, à maravilha da arte em várias de suas expressões. Bem pode um dia você, ao degustar uma suculenta feijoada, deparar-se com músicas de estilos e intérpretes variados, intercalados à recitação de poesia, números de dança ou mesmo uma mostra fotográfica. Com Pertences da Casa o Marisco quer aliar degustação, bom entretenimento e muita cultura para seu encantamento.

O QUÊ: PERTENCES DA CASA (feijoada regada à boa música ao vivo e outras expressões artísticas)
QUANDO: Aos Sábados a partir das 13h.
ONDE: Marisco (Lagoa da Jansen, na rua da boate Red).
Buffet completo feijoada, incluindo apresentações artísticas: R$ 25,00
INFORMAÇÕES: 32689271 e 30827068

ADÃO CAMILO EM ALMA DE MANGUEIRA

Quem ainda não ouviu Adão Camilo? Adão é dessas vozes privilegiadas da qual você não pode passar em branco. Um artista cujo canto se revela já maduro e ao mesmo tempo muito moderno. Qualquer canção que o moço interprete sempre soa atual, e tanto faz que a composição seja de um medalhão da história de nossa música ou dos que agora despontam. Adão Camilo, como interprete, se perfila ao lado de artistas renovadores no Brasil, e sua música não fica nada a dever a Marcos Sacramento ou a Moyseis Marques.
O artista se apresenta neste sábado, 21, no bar Marisco no show Alma de Mangueira, uma homenagem ao grande Cartola. (Por Celijon Ramos).

O QUÊ: ALMA DE MANGUEIRA, com ADÃO CAMILO.
QUANDO: Sábado (21/08), a partir das 21:30h.
ONDE: Marisco (Lagoa da Jansen, na rua da boate Red)
Couvert R$ 10,00 ­- Reservas: 32689271
REALIZAÇÃO: Satchmo Produções (81278879 e 81278837)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SHOWS NO MARISCO TÊM NOVIDADE

Tem início, a partir desta quinta-feira (08/07), no Marisco, Harmônica Instrumental. O projeto, que visa movimentar a cena da música instrumental de São Luís, será conduzido pelo trio do grande guitarrista Jayr Torres, contando sempre com a participação de convidados especiais.

O QUÊ: JAYR TORRES TRIO
ONDE: Bar e restaurante Marisco - Lagoa da Jansen, na rua da boate Red. Couvert artístico R$ 10,00 reservas: 32689271
QUANDO: Sexta-feira (08/07), a partir das 21:30 h.

­­­­­­­­­­Quem volta ao palco do bar e restaurante Marisco, na sexta-feira (09/07,) é cantor Augusto Pellegrini. O show dá continuidade à temporada do artista e é uma boa oportunidade de se assistir a um espetáculo bem cuidado e feito com muito carinho por esse verdadeiro mestre do jazz. No repertório, em que impera o bom gosto, jazz, muita bossa nova, MPB e belas canções do POP.
O QUÊ: AUGUSTO PELLEGRINI E TRIO
ONDE: Bar e restaurante Marisco - Lagoa da Jansen, na rua da boate Red. Couvert artístico R$ 10,00 reservas: 32689271
QUANDO: Sexta-feira (09/07), a partir das 21:30 h.

A cantora Mila Camões se apresenta no sábado (10/07) no bar e restaurante Marisco. A excelente intérprete preparou um show especial para você assistir, onde o grande homenageado é o samba. No repertório, composições de Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro e tantos outros bambas do gênero mais característico da música brasileira.

O QUÊ: MILA CAMÕES É MÁGIA NO SAMBA
ONDE: Bar e restaurante Marisco - Lagoa da Jansen, na rua da boate Red. Couvert artístico R$ 10,00 reservas: 32689271
QUANDO: Sábado (10/07), a partir das 21:30 h.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Augusto Pellegrini e Trio em jazz, bossa e old times pop


Foto: Evandro Filho

Se a quinta-feira foi santa, o que se dirá de oito de abril? É o que se deve estar perguntando o respeitável público que lotou o Marisco para ver Augusto Pellegrini e Trio. A apresentação foi elevada, magnífica. No dizer de uma das presentes “foi lindo, lindo...!”.
Tais exclamações só podem mesmo coroar e confirmar um show bem cuidado no repertório, que sempre traz novidades a cada apresentação e é elaborado com esmero e carinho pelos músicos no decorrer da semana, quando são realizados os ensaios.
Pois bem. Nesta quinta (8), Augusto Pellegrini e Trio voltam a se apresentar no Marisco, a partir de 21h, trazendo mais novidades em jazz, bossa e old times pop. Agora é sua vez de saborear!

O QUÊ: Augusto Pellegrini e Trio em jazz, bossa e old times pop
ONDE: Bar e restaurante Marisco - Lagoa da Jansen, ao lado do antigo bar Maloca. Couvert artístico R$ 10,00 reservas: 32689271
QUANDO: Quinta-feira 08/04, a partir das 21 h.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A CORDA


Publicado originalmente no livro Coisas de Augusto Pellegrini, o conto A Corda contextualiza os desvãos da vida de seus personagens a partir de um determinado ponto de vista originado em Freud. Vai mais além disso. Usa como mote a abordagem psicanalítica para nos mostrar como tão esquisitos e estranhos nos tornamos e até nos desconhecemos. É quando nos negamos ao perceber que somos capazes de fazer o contrário de nosso ideário. O fracasso é um calço que pesa no calcanhar do sapato e impede a caminhada. Quem se reconhece?!

Por: Augusto Pellegrini

Sigmund falou, e não foi para mim. Escreveu livros, teceu comentários, expôs teses, realizou conferências. Pois bem. Não estive presente a nenhuma, não discuti as suas teses; não li nenhum livro seu. Não comentei seus comentários. Sigmund falou, e não foi para mim. Nem sequer para o Zacarias.

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A corda.
A corda balança como se na extremidade balançasse um cadáver. Um fio de prumo no prumo, dependurado, preso lá no alto do prédio, passando em frente da janela que é só vidro, no décimo primeiro andar, altura suficiente para um homem sentir as sensações de Ícaro, projetar-se nos ares, voar sem asas.Eis a corda.
A corda balança ao sabor do vento e bate na parede corrugada de concreto ao lado do fio de telefone e do pára-raios, prendidos com grampos.
A corda está arrebentada, criminosamente arrebentada na altura do décimo primeiro andar, mas puxada para baixo pelo peso do morto enquanto vivo, agora pende frouxa até o nono.
E o andaime lá no chão, aos pedaços.

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Uma das minhas ocupações prediletas é fazer cinema; registrar fatos na máquina e depois colar os pedaços de celulóide, para ver os efeitos.
O dia e a noite passam, os olhos ardem e as costas reclamam, a gente trabalha meio em pé e meio sentado, só pelo prazer de ver a coisa chegar a um fim, montando filmes sem cessar e sem cansar o espírito, é só não se concentrar no mundo profano que nos cerca – os bares repletos e a alegria nas ruas – senão saio correndo do laboratório, paletó nas mãos e cheirando a tetracloreto, enjoando o fígado do ascensorista, e vem a desconfiança de não ter dado a atenção devida à namorada que espera.
Arte é arte.
Estava assim absorto nas minhas artes quando surgiu Zacarias, de tez escura, magro e alto, de cavanhaque e sotaque, a preocupação juncando a testa e o pavor ondulando os músculos da face. Tivesse eu uma filmadora às mãos e descarregaria toda a sua corda sobre o seu semblante, para alguma coisa iria servir algum dia, com certeza.
- Olá, professor! Foi ele dizendo para introduzir a conversa. Eu introduzia o negativo no editor. Ele não prestava atenção.
- Olá, Mestre Zacarias! – respondi eu. Este tratamento nos era familiar.
Sua silhueta com cavanhaque se desenhava numa tela, à minha direita. Suas mãos gesticulavam, nervosas.
- Estou num mato sem cachorro. A polícia anda atrás de mim.
Estava suando.
O que queria ele que eu fizesse, que o escondesse? Que declarasse em praça pública conhecê-lo e dar fé jurada que era inocente? Facilitar sua fuga para o exterior?

Que ele era inocente eu não tinha dúvida, apesar de não saber qual era o crime, apesar de não saber se havia crime. Afinal, a polícia poderia estar atrás dele em busca de um testemunho, ou para encaixá-lo num batalhão de investigadores, ou simplesmente para condecorá-lo. Sim, porque Zacarias merece uma condecoração, mil condecorações. A Cruz de Santo Inácio, a da Ordem das Azáleas ou das Ajácias, ou a do Grande Cã.
- Eu fui pra praia sexta-feira à noite – começa ele a contar.
- A noite estava clara e quente, e eu suarento. Peguei minha roupa de banho e de baixo, apanhei um ônibus e fui pra praia. Não tenho testemunhas, mas estive lá. A praia estava clara e quente, e eu suarento. Era noite, mas mesmo assim tomei banho de mar – você já fez isso? É uma beleza, as ondas estavam altas, a praia deserta e a água vinha molhar até quase o fim da areia, a lua parecia maior, ou era o contraste com o fundo negro do céu. Água de coco gelada, e o cheiro do mar.
- Tudo maravilhoso. Até esqueci do meu apartamento, dos meus livros. Do lado de fora do meu apartamento tem um monte de andaimes, os pintores estão pintando, e tem uma corda que passa bem em frente a minha janela. Uma corda grossa, cheia de nós, para segurar a madeira e o pintor sentado nela.
- Pois bem, comigo mora aquele paraguaio, ou boliviano, eu nem sei direito, aquele que pinta quadros de fetos carecas, o Jeremias, incapaz de fazer mal a uma mosca. Ele também não estava em casa na sexta-feira à noite, foi se encontrar com uma mulher, foram para uma boate, e ele voltou só de manhã cedo, cansado demais para ficar acordado, e dormiu.
- O outro rapaz que tem a chave do apartamento disse que chegou lá por volta das onze da noite e saiu antes de o Jeremias chegar, acompanhado, é claro, e não sabe de nada. Disse que não iria se preocupar com coisa alguma, dada a categoria da mulher que estava com ele. Só vendo pra crer.

Até aqui eu não tinha entendido coisa alguma sobre a perseguição da polícia. Ninguém pode ser perseguido pela lei só por morar em um apartamento que tem livros do chão até o teto, livros no guarda-roupa e no banheiro, livros em cima da cama, quadros com figuras folclóricas, cartazes de cinema e de teatro, bonecos de barro, retratos de mulheres nuas de frente e de costas espalhados por toda a parede e rolos de filmes, mesmo com um boliviano, ou paraguaio, amigos de chave, e muito menos ou principalmente por ter uma corda dançando em frente à janela.
- Estou ficando maluco. Cada vez que acordo, olho a corda e escuto a polícia batendo na minha porta e me levando aos berros pelo corredor cheio de eco e me atirando num elevador e numa cela, e ditando a minha sentença.
- Cortaram a corda, professor, cortaram a corda com canivete ou tesoura, bem na cara da minha janela!” Agora eu compreendia. Cortaram a corda. E daí?
Põe outra corda no lugar, paga o prejuízo para os pintores e uma cerveja para o zelador, faz uma festinha de comemoração e convida o Jeremias e o amigo da chave com duas ou três mulheres extras, e deixa o uísque com água de coco rolar sobre os livros de direito e sobre as barrigas lisas.
- Naquela tarde eu estava fotografando uma modelo lá no apartamento. Aquelas poses para publicar em jornal vagabundo, a perna levantada, a saia arregaçada e a blusa desabotoada, você sabe.
Eu sei.
- De repente, a corda se distendeu mais do que devia e depois afrouxou. Ao mesmo tempo ouvi um grito, parecia o som de uma sirene, que foi sumindo e terminou com o barulho de telhas quebradas. Não tive coragem de olhar. A câmera tremia, o tripé tremia, o prédio tremia. A modelo abotoou a blusa, ajeitou a saia, se debruçou na janela e viu o corpo torcido no telhado cinza, lá em baixo, esborrachado como um tomate.
- Agora eu compreendo. Mas você não precisa ter medo, pois estava na praia, naquela lua grande, no coco verde, na areia molhada, se divertindo no calor da noite, enquanto alguém cortava a corda.

- A perícia foi quem descobriu que a corda estava cortada. Também, estava de um jeito que não precisava ser perito pra ver. Não sei, não sei, estou apavorado. Acordo todos os dias e vejo a corda balançando, acenando para mim, me convidando para um passeio pelos ares. É um entra e sai de policiais o dia inteiro. Vou acabar ficando louco. O Jeremias jura que não foi ele, tem certeza que não foi ele, pois ele não abre a janela à noite, porque tem frio. (Mas era quase manhã, e o calor está medonho...).

- Tengo frio, y en este piso hace aire demás. No vi cuerda ninguna. No uso navaja. Y, además de eso, estava borracho, era madrugada, era sábado.
“?Que me importan las cuerdas?
- O zelador me olha com olhos de inquisição. Eu já nem tenho certeza do que se passou. O Jeremias eu sei que não foi – ‘la Libertad no consiste en hacer lo que se quiere, sinó en hacer lo que se debe, decia Campoamor’ – Jeremias vive usando frases feitas e convenceu até as paredes de que é inocente.

- O outro rapaz, o da chave, diz que nunca pediu para ter chave alguma, que foi oferta da casa, e que não iria complicar a vida de ninguém – muito menos a dele – além de outras justificativas cheias de lógica. Resta a mulher, talvez ela tivesse se levantado sorrateiramente e cortado a corda enquanto ele dormia placidamente; mas por qual razão haveria ela de cortar a corda, assim sem mais nem menos?
Estou impressionado com a narrativa do Zacarias. Ele sai – “adeus, professor!” – (será que vai se suicidar?) com uma gravura debaixo do braço, os ombros balançando de um lado para o outro, o cavanhaque suado e a porta batendo à sua partida.
Volto então aos meus filmes, e a corda agora balança na minha mente. Não tenho nada a ver com o acidente, com o incidente, mas Jeremias tem os seus bons motivos, não pode se complicar ou é deportado, encaixotado e carimbado como um amontoado de arenques – este lado para cima. O outro da chave pode jogá-la num abismo ou num rio, há tantos rios por aí cheios de lodo, quem é que iria procurar uma chave nos intestinos de um rio canalizado? Se bem que o sumiço da chave não prova nada, existe a também a mulher, que bem poderia ter sumido com uma daquelas estatuetas raras que ficam naquelas estantes povoadas de livros – metafísica, dialética, dietética – e vai ver que sumiu mesmo.
É mais fácil achar uma chave no fundo lodoso de um rio do que notar a falta de um elefante naquele apartamento, principalmente se for de marfim. O zelador não iria escalar a lateral do prédio e ficar com as unhas esfoladas, nem subir pela corda e ficar com a palma das mãos pior que as de Cristo depois que lhe pregaram os pregos, para cortar a corda na altura do décimo primeiro andar e correr o risco de cair com ela – subiria no máximo subiria até o quinto – e o pintor, se quisesse se suicidar, tomaria um balde e meio de verniz e teria uma disenteria de envenenar o mundo antes de dar a sua última contorção.
Agora abandono os filmes de vez e acendo a luz fluorescente que fica no teto sobre a minha cabeça. Arrasto o banco para trás e cerro os olhos. Já faz muito tempo, muitas horas, que estou trancado aqui neste estúdio, sem comer e sem dormir. Isto não é uma cela, nem internato, o que estou fazendo aqui que não vou embora?

Já nem sei o que tenho feito, ao certo, os dias e o calendário já perderam o significado e o sentido.
Ponho a mão no bolso – o que é isto!?
É uma chave.
Vejamos – minha não é, pois a minha é verde. A do estúdio também não, que se fecha com cadeado. Também não é chave de carro, e eu não tenho carro. Lembro-me com clareza que esta chave me foi dada pelo Zacarias, faz mais de um mês. Eu havia deixado um álbum de músicas clássicas sobre a sua cama, e temi que se transformasse em pedestal para uma pilha de livros, então ele me deu a chave para eu ir buscá-lo. Mas... então eu também possuo a chave do apartamento! E ela queima a minha mão como um talismã do inferno.
A corda.

Zacarias não foi, estava na praia. Jeremias não foi – que lhe importam as cordas? O amigo não foi, vai jogar fora a chave, e assim perder a oportunidade de novas aventuras. A mulher prefere roubar elefantes, e a modelo cuida mais de fotografar semi-nua. O zelador não tem mais idade para ser alpinista, e o pintor morreu como um tomate.

Só restamos nós, eu e a chave.
Já nem tenho certeza de que fechei a torneira ontem, ao sair de casa. Já nem sei se foi ontem. Fecho outra vez os olhos e nem sei a cor da minha camisa, e se ainda sei que estou de camisa é porque me apalpo e a sinto. E a namorada – estará pacientemente me esperando em alguma parte do mundo?

Como posso ter certeza de que não fui eu quem cortou a corda, deslizando como um réptil em direção àquela janela?
Estou começando a sentir enjôo, gravidez é claro que não é, nem maresia. É medo.

Mestre Zacarias me transmitiu todo o seu pavor e toda a sua lógica ilógica.
O que é que eu andei fazendo por aí, se ainda estou com a tesoura entre os dedos? Cortando filmes ou cortando cordas? Escapando da polícia, trancado aqui neste quarto?

Terei sido eu?


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Sigmund falou sobre isso, e não foi pra mim. Talvez para estes loucos, que me rodeiam.

Será que previu algum dos meus dias?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

LENÇÕIS JAZZ E BLUES FESTIVAL: BARREIRINHAS NA ROTA DO JAZZ


É com prazer que divulgamos a resenha de Augusto Pelegrini sobre o festival de jazz e blues, que ocorreu em Barreirinhas, e do qual foi o apresentador oficial.
Parabenizamos a equipe organizadora do evento, desejando maior sucesso ainda na realização da segunda edição do evento.

Por Augusto Pellegrini

Mesmo sofrendo os percalços naturais de um empreendimento pioneiro, o 1º Lençóis Jazz & Blues Festival se revestiu de sucesso. A organização, a cargo de Tutuca Viana e Ivaldo Guimarães, teve que enfrentar imensos problemas de logística em virtude das peculiaridades do evento, realizado em um confortável resort próximo à cidade de Barreirinhas. O acesso do público foi um pouco dificultado por conta da carência de uma sinalização adequada. Isto, aliado a algumas informações controvertidas sobre a venda de ingressos, resultou num público aquém do esperado, embora animado e participativo. O Resort Lençóis Maranhenses, local das apresentações possui um glamour especial por conta do seu belo visual externo, que é moderno, confortável e divertidamente decorado com galinhas de terracota. O clima estava agradável, o serviço de boa qualidade e todos os ingredientes estavam presentes para proporcionar um programa de alta qualidade. A primeira noite contou com a abertura impecável do trio de Jayr Torres, com Jayr na guitarra, Carlos Raquete no baixo e o premiado Isaías Alves na bateria. A bela apresentação do trio não chegou a ser ofuscada por alguns problemas de sonorização e por um humming constante que era perceptível durante as pausas, felizmente solucionado a tempo. O trio passeou entre o jazz convencional e algumas interessantes leituras de música maranhense inserida no jazz. Na seqüência apresentou-se o trompetista novaiorquino radicado em São Luís Jim Howard III, líder, arranjador e criador da Infinity Jazz Band. Também devido à logística, Jim não pode levar a totalidade dos seus músicos, o que de certa forma comprometeu a sua performance, pois ele teve que improvisar algumas músicas utilizando apenas um trombonista, um baixista e um baterista como combo. O punch final contou como duas saxofonistas e dois outros trompetistas quer buscaram criar um clima de big band ao sair dando voltas no meio do público durante a interpretação de “WhenThe Saints Go Marchin’ In” A noitada foi encerrada com um verdadeiro show de técnica e competência oferecido pelo performático gaitista Engels Espíritos, acompanhado pelo seu parceiro Rafa Dorneles na guitarra, ambos perfeitamente assessorados pelo não menos perfeito Carlos Pial na percussão. O trio interpretou algumas músicas do próprio Engels, numa pegada alegre e movimentada de country-blues e rhythm & blues. A segunda noite teve solucionados os problemas de sonorização e humming, e começou no embalo do blues e do rock-a-billy com o extraordinário Edson Travassos – leia-se “Manifesto Blues”, sua marca registrada – acompanhado pelos essenciais Oliveira Neto na bateria e Samy “Sam” Aranha no baixo. A banda continuou no palco para receber Jefferson Gonçalves, um gaitista completo que soma o som do blues às mais diversas correntes e nuances da música instrumental moderna, extraindo do seu instrumento muita alma e muita técnica – às vezes ele passa a impressão de que são dois gaitistas tocando melodia e harmonia ao mesmo tempo – viajando do Delta do Mississipi até a zona agreste do nordeste brasileiro (um determinado espectador mencionou que Jefferson parecia ter “duas bocas” para extrair tal som!).

Finalizando as apresentações, o percussionista Luís Cláudio brindou o público com uma excelente performance solo, tendo como apoio musical uma trilha gravada com sons que variavam do etéreo ao instrumental popular, à qual acrescentou diversos efeitos percussivos de grande riqueza sonora.

O ambiente do Festival começou a ser sentido antes das apresentações, com um inusitado cortejo musical pelas ruas da cidade de Barreirinhas proporcionado por Jim Howard III e os membros da sua Infinity Jazz Band, criando nos moradores um clima de surpresa e estupefação, (o que está acontecendo por aqui?!) e terminou no palco do resort na sua segunda noite, deixando aquele gosto de “quero mais” na boca do público. Louve-se o trabalho da jornalista Patrícia Santiago, responsável por levar o som do Festival para além fronteiras do Maranhão por seus valiosos contatos com outros assessores de imprensa, jornalistas e produtores culturais de diversos setores artísticos, além do seu suporte inestimável dado à organização, da qual ela passou definitivamente a fazer parte. Estamos em contagem regressiva para o 2º Lençóis Jazz & Blues Festival, daqui a um ano, quando teremos, sem dúvida, novas e surpreendentes atrações. Quem viver verá.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

UMA PROSA DE JAZZ COM AUGUSTO PELLEGRINI


augusto pellegrini festejando seu canto
Comemorando a realização do 1º LENÇÓIS JAZZ AND BLUES FESTIVAL, que ocorre no dias 10 e 11 de outubro, em Barreirinhas, no Maranhão, publico abaixo a íntegra da entrevista virtual dada por Augusto Pellegrini (jornalista, cantor de jazz e autor do livro Jazz:das raízes ao pós-bop, publicado pela editora Códex) à jornalista Inara Rodrigues do Caderno Impar de O Imparcial.

Augusto Pellegrini será o apresentador oficial do festival e a programação faremos a divulgação aqui no blog.


Caro Augusto, aqui vão as perguntas. Desde já agradeço a colaboração. Um abraço. Inara Rodrigues.

1- Fale da sua carreira musical. Quando a música entrou na tua vida e como foi esse processo da iniciação musical até hoje?
Eu tenho três carreiras musicais. Uma, a mais natural, é como apreciador, pois foi aí que tudo começou. Ainda adolescente, comecei a me interessar por alguns discos que ouvia na casa de parentes e que diferiam fundamentalmente daquilo que era tocado no rádio, Entre as preciosidades, peças de jazz orquestrado (Benny Goodman, Artie Shaw, Harry James), chorinho (Jacob do Bandolim, Severino Araújo, Luiz Americano), música erudita ou semi-erudita (Chopin, Tchaikovski, Strauss), orquestras (Mantovani, Percy Faith, George Melachrino) e até tangos de Carlos Gardel. Comecei a me aprofundar na coleção e no conhecimento do jazz e logo depois que cheguei em São Luís, em 1982, comecei a fazer o programa Mirante Jazz na Rádio Mirante FM. Como sempre gostei de cantar e era incentivado a fazê-lo, comecei a partir de 2000 a utilizar as nuances e as improvisações do jazz como cantor, tendo me apresentado em diversos bares, restaurantes e teatros de São Luís.

2- E o jazz, sempre te acompanhou nessa trajetória? Fale um pouco dessa experiência com o jazz.
Minha experiência com o jazz é bastante estranha, porque não toco nenhum instrumento mas costumo dizer que tenho "um ouvido de elefante" pois assimilo perfeitamente os sons e as harmonias, e consigo reproduzir vocalmente os elementos do jazz. O jazz faz parte da minha vida como uma contribuição cultural muito importante.
3- Fale do seu programa na rádio. Quando começou, como surgiu a idéia, como é o roteiro, o que toca etc.
O programa Mirante Jazz começou em 1982 e durou até 2004, quando saí da Rádio Mirante e ingressei na Rádio Universidade, onde estou até hoje. A partir de então ele se chama Sexta jazz. A idéia surgiu durante uma feijoada na minha casa, quando um amigo, Armando Le Fosse, encantado com o material que eu possuia sugeriu que devêssemos fazer um programa do gênero. Ele procurou a Rádio Mirante e negociou o programa com eles. Fomos parceiros na emissora até 1985, quando ele foi embora de São Luís, e eu passei a produzir e apresentar sozinho. A idéia é tocar todas as vertentes possíveis, com ênfase para o jazz do século 20 - desde o tradicional até o pós-bop - e de mesclar música com comentários pertinentes (músicos, compositores, curiosidades, etc.).

4 - Como está o movimento jazz em São Luís? Ele está acontecendo? Há espaço? O que falta?
O movimento do jazz em São Luís está melhorando consideravelmante. Hoje em dia o jazz já consegue levar público para as apresentações, diversos músicos se engajaram no estilo e outros músicos estão se engajando. É um processo lento, pois o músico de jazz precisa ouvir muito para entender as minúcias e as particularidades musicais, que não são poucas, a fim de obter o feeling necessário para a sua interpretação. Os espaços para apresentações de jazz estão aumentando timidamente graças a muitos heróis que se dispõem a trabalhar até de graça para que os shows aconteçam. Falta um imcentivo maior de produtores e patrocinadores que possam ver no jazz não apenas uma aventura musical curtida por uns poucos diletantes, mas como um negócio que dê público e retorno financeiro. Falta a coragem dos patrocinadores para venderem um produto classe A.

5 - Quem são suas referências no jazz?
São muitas. Cada época e cada tipo de instrumento tiveram uma contribuição importante no meu comportamento de jazzófilo. Louis Armstrong, Duke Ellington, Charlie Parker, John Coltrane, Dave Brubeck, Chet Baker, Joe Pass, as bandas de swing, e vocalistas como Billie Holiday e Ella Fitzgerald são algumas das minhas referências.

6- Por que o jazz? O que sente ao ouvir e tocar ou cantar jazz?
Porque o jazz embute uma mensagem que extrapola a música. O jazz mexe com o sentimento do artista e do ouvinte devido à liberdade que o artista tem para criar e improvisar. O jazz instrumental se assemelha à voz humana, e o jazz cantado se assemelha ao som dos instrumentos. O jazz permite ao instrumentista ou ao cantor viajar dentro de uma linha harmônica, visitando patamares nunca antes visitados. Dificilmente, por mais que se ensaie, uma apresentação de jazz soará exatamente a mesma coisa, seja ele puramente instrumental ou com a participação de um cantor,

7 - Tem projetos voltados para o jazz?
Tenho músicos e parceiros que sempre foram voltados para o jazz ou que estão despertando para o jazz neste exato instante. São Luís tem músicos de alta qualidade que estão se descobrindo como jazzistas, se interessando pela matéria, pesquisando, ouvindo e educando as suas habilidades no jazz, o que faz com que a gente se anime em pensar projetos futuros que envolvam não somente o jazz convencional mas boa parte dos seus assemelhados, como o blues (de onde tudo começou), a bossa-nova, o rock, o soul e outras manifestações do gênero. Hoje em dia é possível a gente sonhar com projetos de jazz porque estamos cercados de músicos (espero não esquecer de muita gente) como Celson Mendes, Julinho Pinheiro, Fleming, Jayr Torres, Isaias Alves, Miranda Neto, Jeff Soares, Mauro Travincas, Edson Travassos, Milla Camões, Marcelo Bianchinni, Arlindo Pipiu, Jim Howard, Gonzaga de Sousa, Pedro Duarte, Júlio Cesar, Antonio Paiva, Rogério Leitão, Maninho Quadros e de pessoas que batalham pela causa como Celijon Ramos, Ronald Almeida, Érico Cordeiro e Tutuca, que neste exato instante está fazendo das tripas o coração para que a realização do 1º Lençóis Jazz & Blues Festival seja não só possível mas também um sucesso.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

AUGUSTO PELLEGRINI E QUARTETO BOM TOM NO DA GEMA


Quarteto Bom Tom, no Da Gema. Foto: Da Gema food & music
Show de jazz foi a apresentação do Quarteto Bom Tom no bar restaurante Da Gema no sábado passado.
Perfeito é o entrosamento do grupo, que abrilhantou a platéia com desenvolvimentos de temas já clássicos do jazz com muito improviso.

Augusto Pellegrini
Belos, emotivos, às vezes enérgicos ou leves e macios, assim foram os solos de sax e trompete praticados por Júlio Pinheiro e Miranda Neto, que contaram com retaguarda segura de Celson Mendes (violão e guitarra) e Fleming, um baterista cujo toque preciso e leve deixa os demais componentes muito tranquilos para deixar o jazz fluir solto.
Aliás, a atmosfera do local estava tão leve que logo apareceu quem quisesse dar sua canja. Foi o caso de Aquiles que nos revelou uma surpreendente voz e boa interpretação. Por lá também estava o fabuloso e carismático Augusto Pellegrini,
que logo teve que subir o palco e encantar com sua voz, ao desfiar as belas canções da era de ouro do jazz.
Foto: Da Gema food & music
A platéia entusiasmou-se tanto que não deu outra: a próxima edição do Jazz da Gema será com AUGUSTO PELLEGRINI E QUARTETO BOM TOM.
Pellegrini é o dos maiores divulgadores do jazz no Brasil, tendo já inclusive sido premiado por seus instrutivos programas de jazz em rádio pelo Festival de Rádio de Nova York. É escritor e músico, sim, porque voz também é um instrumento e ele a sabe usar como poucos.
Não dá pra perder, não é. Então, até sábado!

SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz Da Gema recebe Augusto Pellegrini e Quarteto Bom Tom

QUANDO: Sábado (01/08), às 22h.
ONDE: Bar e Restaurante Da Gema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol)
Informações: pelo telefone (98) 32353588



domingo, 5 de julho de 2009

O CAFÉ FILOSÓFICO DE AUGUSTO PELLEGRINI


Sexta-feira (5) foi a noite de encontro de duas gerações de apreciadores do jazz, em São Luís. A iniciativa ficou por conta do projeto Café Filosófico, da Associação dos Magistrados do Trabalho – AMATRA/MA sob a presidência de Érico Renato Serra Cordeiro. O projeto desenvolve-se em ciclos de palestras e discute temas concernentes à cultura, economia, artes e ao Direito. Parabenizamos a Érico pela empreitada que cumpre um papel relevante aos magistrados maranhenses e à comunidade que pode ter acesso à discussão em elevado nível de grandes questões.
O tema dessa vez foi o jazz e teve como palestrante nada menos que o jornalista, escritor e músico Augusto Pellegrini, maior divulgador do Jazz no Maranhão.
Augusto Pellegrini é autor do livro Jazz – Das Raízes ao Pós-Bop em que desfia a evolução do gênero musical que engendrou uma das mais importantes e influentes músicas populares produzida pela experiência humana. É também apresentador de programas de jazz, em São Luís, desde 1982 e está à frente atualmente do programa Sexta Jazz, que é levado ao ar pela Rádio Universidade FM 106,9 nas noites de sextas-feiras com transmissão também via Internet através do link http://www.universidadefm.ufma.br/.
O escritor foi bastante didático em sua exposição, o que permitiu à assistência uma compreensão clara da intricada evolução da aventura do mundo jazz. Foi do ragtime ao fusion, abordando todas as fases do jazz (ragtime, New Orleans, Chicago, swing, Kansas city, bebop, cool jazz, west coast, hard bop, third stream jazz, free jazz e fusion), salientando-lhes os principais expoentes e os elementos novos da execução da música que permitiram ao jazz passar a um novo estágio. Ao complexificar ou simplificar o toque, as elaborações harmônicas e suas improvisações, os artistas nos legaram uma música de elevado refinamento e grande beleza. Favoreceu para a compreensão do gênero a audição musical e vídeos das apresentações dos músicos que foram feitos ao longo do desenvolvimento da explanação do jornalista. Augusto Pellegrini colocou à disposição de todos os presentes seu abalizado conhecimento e assim prestou um enorme serviço aos amantes do jazz por essas bandas.
Pode-se ainda saber que Pellegrini está com novo livro prontinho em que aborda o jazz com olhar ficcional. No momento, está em negociação com editoras para sua publicação. Que não demore muito.
Tomara que a iniciativa do Café Filosófico se fecunde e possa propiciar aos jazzófilos da cidade maior aproximação para trocar experiências e conhecimentos. Quem sabe se viabilize a formação do primeiro clube de jazz da cidade.