Mostrando postagens com marcador samba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador samba. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de novembro de 2011

LÉO CAPIBA SAMBALANÇO

Por: Celijon Ramos

Quando se ouve Léo Capiba, se é remetido para uma sonoridade típica da música brasileira produzida nos anos quentes da bossa.


É como se estivesse ouvindo uma mistura do canto de Lúcio Alves com Ciro Monteiro ou de Jackson do Pandeiro. Seu talento caleidoscópico lhe permite trilhar com maestria por um repertório eclético, repleto de sambas, samba-canção ou, ainda, o samba-rock, e claro que também tem muita bossa nova.


É genuíno representante de uma forma de cantar cuja evolução legou os avanços interpretativos do canto na música feita no Brasil.
O artista se apresenta nesta quinta-feira (10/11), às 21 horas, no Bar Danado de Bom, e você tem a oportunidade de desfrutar da beleza da voz de um grande e singular interprete.


O artista nos brinda com o show LÉO CAPIBA SAMBALANÇO com sambas e afins (samba canção, samba choro, samba rock) de novos e antigos compositores tais como: Wilson das Neves, Orlandivo, Tom Jobim, D. Ivone Lara, Eduardo Gudin. Léo terá o acompanhamento luxuoso do Quinteto Bom Tom, formado por Fleming (bateria), Jeff Soares (contrabaixo), Daniel Miranda (trombone), Miranda Neto (trompete) e Celson Mendes (violão) que também assina a direção musical do espetáculo. 


Como informa o sociólogo e radialista Ricarte Almeida, “Léo Capiba nasceu no Crato, Ceará, e adotou a capital do Maranhão. Tanto lá como cá, conviveu, sempre, entre boêmias rodas de choro e samba nas horas de folga”. Isso deve ter ajudado a cunhar a personalidade de um artista de inconteste carisma que sempre estampa um riso no rosto quando canta.


Capiba integrou a caravana do projeto Samba da Minha Terra, Circuito Musical Alternativo que, entre 2002 e 2003, sob a batuta do compositor Joãozinho Ribeiro, percorreu dezoito comunidades de São Luís, levando chorinho da melhor qualidade a um público ávido por música. Tocou também nas edições do projeto Chorando na Praça (Desterro e Anjo da Guarda), Clube do Choro do Maranhão, além da charmosa Serenata dos Amores (Desterro). Sua voz pode ser ouvida, ainda, no cd Memória da Música no Maranhão, ao lado de outros mestres.


Bem humorado e dono de um riso contagiante, que parece dizer “que no mundo não há dificuldades”, Léo Capiba com seu inseparável pandeiro é figura de proa no Projeto Varanda, idealização de Celson Mendes, que promove reunião de músicos e amantes da musa, que enchem de boa música as varandas dos amigos no fim-de-semana.


O show LÉO CAPIBA SAMBALANÇO é co-produzido pela Satchmo Produções e por Bom Tom Produções com direção musical de Celson Mendes.
                                                              
SERVIÇO
O QUÊ: LÉO CAPIBA SAMBALANÇO
QUANDO: Quinta-feira (10/11), a partir da 21 horas. Entrada: R$ 15,00 (meia-entrada para estudante com a apresentação da carteira).
ONDE: Danado de Bom - Av. Contorno Norte Sul, 2 - Parque Shalom (ao lado do lava Jato Shalom e rua atrás da lanchonete Bulldog).

segunda-feira, 13 de julho de 2009

NICOLAS KRASSIK, UM MÚSICO DE CORDESTINOS


São Luís.O palco do bar e restaurante Da Gema teve a presença, na sexta-feira (10), do músico francês Nicolas Krassik, Edu Krieger e Marcelo Caldi, além do percussionista maranhense Erinaldo muito elogiado por Krieger e Nicolas. Em noite de casa cheia, o público pôde assistir a uma apresentação primorosa de um músico muito bem ambientado na execução da diversificada música brasileira.
No intervalo da primeira parte e ao final do show, pude conversar Nicolas Krassik, que se demonstrou muito afável, solícito e interessado em falar sobre música e sua carreira. Em meio ao aperreio dos fãs, o artista revelou que, quando estava na França, era músico de jazz, tendo gravado inclusive dois discos, e tocado com Michel Petrucciani, Didier Lockwood e Vincent Courtois. O líder do grupo de que fazia parte, cujo nome não me recordo, era louco por João Bosco e foi de onde surgiu seu encantamento e interesse pela música brasileira. A partir daí, lá mesmo na França, como forma de se aproximar da cultura brasileira, tratou logo de aprender capoeira, e, num mês de fevereiro, resolveu visitar o país em pleno carnaval. Ficou meio desanimado porque só conseguia ouvir samba-enredo por todo lado. Mas não desistiu e o resultado é esse que se pode ouvir nos três discos que o músico já gravou no Brasil, depois que se radicou no Rio, em setembro de 2001.
Na Lapa (2004) é produto do encontro do jazz com a música brasileira e traz uma mistura frenética de ritmos brasileiros, tocando sambas, choros e forró em levadas dançantes. Contou no disco com a participações especiais de João Bosco, Beth Carvalho, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, Carlos Malta, Daniela Spielmann, Chico Chagas, Samuel De Oliveira, Gabriel Grossi, Henrique Cazes, entre outros. Em Caçuá (2006), seu segundo CD, segue o caldeirão brasileiro e reúne gêneros como choro, samba, baião e xote, com arranjos que destacam a sonoridade do quarteto liderado por Nicolas e conta também com Nando Duarte (Violão de 7 cordas), João Hermeto (Percussão) e Fábio Luna (Bateria).
É um verdadeiro passeio de sabedor pelos estilos da nossa música. Krassik toca seu violino com a segurança de quem muito bem conhece o instrumento e dele tira sonoridades que dão novas cores ao choro ou à música nordestina, cujas riquezas melódica e rítmica explora no seu delicioso e sonoro último CD Nicolas Krassik e Cordestinos, onde, em várias passagens, jazz e forró ficam muito próximos e que o músico atinge uma síntese dos gêneros. É uma verdadeira aventura de sons e de unicidade. Faz muito bem à música brasileira ao reintroduzir o violino, um instrumento muito delicado e melindroso. Com Nicolas Krassik a evolução do instrumento de Fafá Lemos e Stéphane Grappelli está a salvo e permanente. Fica evidente, ao ouvi-lo, que a formação de músico de jazz contribui para esse resultado e que lhe permitiu uma apropriação ou uma audição específica da música feita aqui no Brasil que com isso se engrandeceu.
Aliás, o músico mostrou a preocupação com o elemento evolutivo e criativo na música e citou o exemplo do Trio Madeira Brasil, que, em suas reuniões para tocar, permitia-se muita liberdade, gerando uma forma de tocar que ele chamou de “free-choro”. Insistiu na visão de que o choro não deve ser tocado como uma música clássica, que exige que não se afaste da execução na forma de como a peça foi composta. Para ele o choro é muito diferente disso. É vivo e possibilita maior envolvimento e improvisação do músico. É claro que essa renovação, que, além dos músicos indicados, também tem a frente gente da grandeza de um Hamilton de Holanda, é mais que bem-vinda e só fortalece e oxigeniza o choro ao torná-lo atual e também ao permitir que novos ouvintes se interessem pela maravilhosa música que tem como virtuoses, entre outros, músicos da estatura de Jacob do Bandolim e Garoto.

terça-feira, 7 de abril de 2009

ADEUS A ANTÔNIO VIEIRA


Para quem o via andando pela cidade ou sobre algum palco, Antônio Vieira passava o semblante de um bom velhinho, carinhoso e meigo. Daqueles que dá vontade de você ficar ouvindo horas a fio e cuidar dele na beleza de sua velhice e simplicidade.
Mas quando se sabe da incrível capacidade que possuía de trabalhar e criar belas canções (e fez aproximadamente quatrocentas delas), via-se logo que se estava na presença de um gigante da música brasileira. Desses que como muitos só tardiamente tiveram bem apreciados seu valor artístico. Não nos deixam mentir Cartola, Germano Mathias, Nelson Sargento, gente a quem Antônio Vieira não devia nada quando o assunto era ser excelente compositor.
Quem quiser tirar a prova dos noves é só ouvir Banho Cheiroso, Tem Quem Queira, Cocada, Na Cabecinha da Dora, O Samba É Bom e mais umas pencas de bons sambas que confirmam o grande quilate e o refinamento da ourivesaria de mestre Antônio Vieira.
Seu primeiro disco solo O Samba é Bom só veio a público em 2001, quando o compositor já exuberava seus 81 anos de idade bem vividos. Antes veio Antoniologia Vieira (2000) com interpretes maranhenses e depois a coletânea Antônio Vieira ao Som dos Ritmos do Maranhão (2003). Já pensou se ele desistisse de compor só por que o tal falado sucesso não lhe batera a porta. O reconhecimento, entretanto, chegou-lhe sem dúvidas antes da morte e até mesmo nesse sentido Antônio Vieira é fonte de inspiração e de ensinamento por sua simplicidade.
Ainda bem que sua obra legada foi catalogada em livro e em registros fonográficos que já pedem reedição imediata para que mais gente conheça suas músicas e assim possa compreender e desfrutar de como fazia poesia de qualquer cena comum, pois tudo que via na vida tinha poesia. Os olhos eram os do poeta e por eles filtrava o bom e o ruim do mundo. Há uma grande humanização no trabalho de Antônio Vieira - dos erros aos regalos, a condição humana está lá cheia de beleza. Está tudo lá como na caymminiana Poema para o Azul em que o mestre nos ensina que o céu é irmão do mar. Poeta onde está agora o verde-azul do mar que o sol aquece as águas e traga as lágrimas no canto do olho da multidão de admiradores órfãos que deixaste por aqui à beira-mar?
*Texto revisto e ampliado em 08/04/2009.