quinta-feira, 19 de novembro de 2009

UM FESTIVAL QUE DEU CERTO















Ontem foi apenas o segundo dia, mas já estou saudando os realizadores do II São Luís Baixo Festival Internacional que foi considerado por Celso Pixinga como o melhor festival de baixo do Brasil. O festival ocorre em São Luis de 16 a 19 de novembro. A entrada é franca nos shows e há uma pequena taxa no master class.
Com produção de Silas Duarte em parceria com a revista Baixo Brasil, o festival cumpre seu objetivo ao reunir grande número de jovens contrabaixistas de todo o País, revelando novos talentos, disseminando a troca de conhecimentos, além da aprendizagem de outros.
Outro resultado direto é que ajuda a mudar a forma de encarar a carreira musical por estes jovens artistas, aumentando-lhes inclusive o grau de profissionalismo e apuro técnico e, é claro também que um evento deste porte tem reflexo ao longo prazo na formação de maior platéia para a música instrumental, o que é mais que louvável, quando se considera o ínfimo espaço que a mídia convencional oferece para divulgação do trabalho dos músicos no Brasil.
Coube a Arthur Maia abrir o festival, ainda no dia 16, com show magistral no teatro o Artur Azevedo para um público entusiasmado. O baixista nos brindou com sua apurada técnica; foi uma apresentação muito alegre e contagiante. Podia-se perceber a satisfação de Maia por estar no festival e em sintonia com o público. Entre outros, fez um tema de Jamil Jones que me deixou com a melodia da música até agora.
A estrutura do evento conta a realização de master class pelas manhãs e shows noturnos; e estão presente artistas do quilate de Arthur Maia, Adriano Giffone, Celso Pixinga (também idealizador do projeto que ocorre em várias cidades brasileiras) e, especialmente na edição de São Luis, com os mestres da Universidade de Berklee e do Bass Institute of Technology, de Los Angeles, os maravilhosos musicistas norte americanos Jim Stinnett, Grant Stinnett e Todd Johnson.
Aliás, a apresentação deles foi de tirar o fôlego. Um jazz primoroso, envolvente na beleza da execução e na comunicação com o público. Jim Stinnett é jazz com corpo todo e parece sempre está feliz no palco. Ontem (18) quem se juntou ao trio foi o baterista maranhense Isaias Alves que atuou de forma sublime. Para nós não foi nenhuma novidade, mas o fato é que Jim Stinnett o elogiou por ser um grande baterista de jazz. Quem sabe venha uma bolsa de Berklee por aí. Seria de grande merecimento.
É interessante ouvir essa moçada executando tantos ritmos e gêneros diferentes. Uma hora o baixo é melódico, noutra é harmônico ou percussivo. Não pude frequentar o master class, que iria só como curioso apenas para acompanhar o desenvolvimento do ensino da técnica já que não sou músico.
Mas uma coisa que definitivamente me comoveu foi verificar que todos os dias um público crescente e entusiasmado com a música comparece ao Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana para acompanhar o evento. Estimei o público de ontem em 800 pessoas. E o que comove é o fato da platéia ser formada por um grupo de pessoas muito novas. Bem, a galera ali tem, pelo menos a maioria, entre 15 a 25 anos. Todos se envolvendo com a música de uma forma ou de outra. Mal é que não fará.
Porém, infelizmente, há notas tristes a falar: evento todo pronto, passagens já tiradas, compromissos assumidos e apoios e patrocínios acertados. Eis que a Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão dá pra trás e pula fora do barco, deixando Silas na mão. Ou melhor, correndo como louco para salvar o festival. Por que será que é tão difícil conseguir investidores para os eventos de música instrumental por aqui? Pior é quando isso parte da própria Secretaria de Estado a quem deveria mais interessar a promoção da cultura.
Entretanto, mesmo sem poder contar com parte dos impostos que cada um de nós pagou, estou assistindo a um festival rico em generosidade e talento graça ao grande esforço da equipe de produção. Salve Diórgenes Brasil e Mauro Sérgio por ser incansáveis e dedicados ao instrumento que tanto amam. Não se preocupe Silas o festival é a salvação.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A CORDA


Publicado originalmente no livro Coisas de Augusto Pellegrini, o conto A Corda contextualiza os desvãos da vida de seus personagens a partir de um determinado ponto de vista originado em Freud. Vai mais além disso. Usa como mote a abordagem psicanalítica para nos mostrar como tão esquisitos e estranhos nos tornamos e até nos desconhecemos. É quando nos negamos ao perceber que somos capazes de fazer o contrário de nosso ideário. O fracasso é um calço que pesa no calcanhar do sapato e impede a caminhada. Quem se reconhece?!

Por: Augusto Pellegrini

Sigmund falou, e não foi para mim. Escreveu livros, teceu comentários, expôs teses, realizou conferências. Pois bem. Não estive presente a nenhuma, não discuti as suas teses; não li nenhum livro seu. Não comentei seus comentários. Sigmund falou, e não foi para mim. Nem sequer para o Zacarias.

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A corda.
A corda balança como se na extremidade balançasse um cadáver. Um fio de prumo no prumo, dependurado, preso lá no alto do prédio, passando em frente da janela que é só vidro, no décimo primeiro andar, altura suficiente para um homem sentir as sensações de Ícaro, projetar-se nos ares, voar sem asas.Eis a corda.
A corda balança ao sabor do vento e bate na parede corrugada de concreto ao lado do fio de telefone e do pára-raios, prendidos com grampos.
A corda está arrebentada, criminosamente arrebentada na altura do décimo primeiro andar, mas puxada para baixo pelo peso do morto enquanto vivo, agora pende frouxa até o nono.
E o andaime lá no chão, aos pedaços.

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Uma das minhas ocupações prediletas é fazer cinema; registrar fatos na máquina e depois colar os pedaços de celulóide, para ver os efeitos.
O dia e a noite passam, os olhos ardem e as costas reclamam, a gente trabalha meio em pé e meio sentado, só pelo prazer de ver a coisa chegar a um fim, montando filmes sem cessar e sem cansar o espírito, é só não se concentrar no mundo profano que nos cerca – os bares repletos e a alegria nas ruas – senão saio correndo do laboratório, paletó nas mãos e cheirando a tetracloreto, enjoando o fígado do ascensorista, e vem a desconfiança de não ter dado a atenção devida à namorada que espera.
Arte é arte.
Estava assim absorto nas minhas artes quando surgiu Zacarias, de tez escura, magro e alto, de cavanhaque e sotaque, a preocupação juncando a testa e o pavor ondulando os músculos da face. Tivesse eu uma filmadora às mãos e descarregaria toda a sua corda sobre o seu semblante, para alguma coisa iria servir algum dia, com certeza.
- Olá, professor! Foi ele dizendo para introduzir a conversa. Eu introduzia o negativo no editor. Ele não prestava atenção.
- Olá, Mestre Zacarias! – respondi eu. Este tratamento nos era familiar.
Sua silhueta com cavanhaque se desenhava numa tela, à minha direita. Suas mãos gesticulavam, nervosas.
- Estou num mato sem cachorro. A polícia anda atrás de mim.
Estava suando.
O que queria ele que eu fizesse, que o escondesse? Que declarasse em praça pública conhecê-lo e dar fé jurada que era inocente? Facilitar sua fuga para o exterior?

Que ele era inocente eu não tinha dúvida, apesar de não saber qual era o crime, apesar de não saber se havia crime. Afinal, a polícia poderia estar atrás dele em busca de um testemunho, ou para encaixá-lo num batalhão de investigadores, ou simplesmente para condecorá-lo. Sim, porque Zacarias merece uma condecoração, mil condecorações. A Cruz de Santo Inácio, a da Ordem das Azáleas ou das Ajácias, ou a do Grande Cã.
- Eu fui pra praia sexta-feira à noite – começa ele a contar.
- A noite estava clara e quente, e eu suarento. Peguei minha roupa de banho e de baixo, apanhei um ônibus e fui pra praia. Não tenho testemunhas, mas estive lá. A praia estava clara e quente, e eu suarento. Era noite, mas mesmo assim tomei banho de mar – você já fez isso? É uma beleza, as ondas estavam altas, a praia deserta e a água vinha molhar até quase o fim da areia, a lua parecia maior, ou era o contraste com o fundo negro do céu. Água de coco gelada, e o cheiro do mar.
- Tudo maravilhoso. Até esqueci do meu apartamento, dos meus livros. Do lado de fora do meu apartamento tem um monte de andaimes, os pintores estão pintando, e tem uma corda que passa bem em frente a minha janela. Uma corda grossa, cheia de nós, para segurar a madeira e o pintor sentado nela.
- Pois bem, comigo mora aquele paraguaio, ou boliviano, eu nem sei direito, aquele que pinta quadros de fetos carecas, o Jeremias, incapaz de fazer mal a uma mosca. Ele também não estava em casa na sexta-feira à noite, foi se encontrar com uma mulher, foram para uma boate, e ele voltou só de manhã cedo, cansado demais para ficar acordado, e dormiu.
- O outro rapaz que tem a chave do apartamento disse que chegou lá por volta das onze da noite e saiu antes de o Jeremias chegar, acompanhado, é claro, e não sabe de nada. Disse que não iria se preocupar com coisa alguma, dada a categoria da mulher que estava com ele. Só vendo pra crer.

Até aqui eu não tinha entendido coisa alguma sobre a perseguição da polícia. Ninguém pode ser perseguido pela lei só por morar em um apartamento que tem livros do chão até o teto, livros no guarda-roupa e no banheiro, livros em cima da cama, quadros com figuras folclóricas, cartazes de cinema e de teatro, bonecos de barro, retratos de mulheres nuas de frente e de costas espalhados por toda a parede e rolos de filmes, mesmo com um boliviano, ou paraguaio, amigos de chave, e muito menos ou principalmente por ter uma corda dançando em frente à janela.
- Estou ficando maluco. Cada vez que acordo, olho a corda e escuto a polícia batendo na minha porta e me levando aos berros pelo corredor cheio de eco e me atirando num elevador e numa cela, e ditando a minha sentença.
- Cortaram a corda, professor, cortaram a corda com canivete ou tesoura, bem na cara da minha janela!” Agora eu compreendia. Cortaram a corda. E daí?
Põe outra corda no lugar, paga o prejuízo para os pintores e uma cerveja para o zelador, faz uma festinha de comemoração e convida o Jeremias e o amigo da chave com duas ou três mulheres extras, e deixa o uísque com água de coco rolar sobre os livros de direito e sobre as barrigas lisas.
- Naquela tarde eu estava fotografando uma modelo lá no apartamento. Aquelas poses para publicar em jornal vagabundo, a perna levantada, a saia arregaçada e a blusa desabotoada, você sabe.
Eu sei.
- De repente, a corda se distendeu mais do que devia e depois afrouxou. Ao mesmo tempo ouvi um grito, parecia o som de uma sirene, que foi sumindo e terminou com o barulho de telhas quebradas. Não tive coragem de olhar. A câmera tremia, o tripé tremia, o prédio tremia. A modelo abotoou a blusa, ajeitou a saia, se debruçou na janela e viu o corpo torcido no telhado cinza, lá em baixo, esborrachado como um tomate.
- Agora eu compreendo. Mas você não precisa ter medo, pois estava na praia, naquela lua grande, no coco verde, na areia molhada, se divertindo no calor da noite, enquanto alguém cortava a corda.

- A perícia foi quem descobriu que a corda estava cortada. Também, estava de um jeito que não precisava ser perito pra ver. Não sei, não sei, estou apavorado. Acordo todos os dias e vejo a corda balançando, acenando para mim, me convidando para um passeio pelos ares. É um entra e sai de policiais o dia inteiro. Vou acabar ficando louco. O Jeremias jura que não foi ele, tem certeza que não foi ele, pois ele não abre a janela à noite, porque tem frio. (Mas era quase manhã, e o calor está medonho...).

- Tengo frio, y en este piso hace aire demás. No vi cuerda ninguna. No uso navaja. Y, además de eso, estava borracho, era madrugada, era sábado.
“?Que me importan las cuerdas?
- O zelador me olha com olhos de inquisição. Eu já nem tenho certeza do que se passou. O Jeremias eu sei que não foi – ‘la Libertad no consiste en hacer lo que se quiere, sinó en hacer lo que se debe, decia Campoamor’ – Jeremias vive usando frases feitas e convenceu até as paredes de que é inocente.

- O outro rapaz, o da chave, diz que nunca pediu para ter chave alguma, que foi oferta da casa, e que não iria complicar a vida de ninguém – muito menos a dele – além de outras justificativas cheias de lógica. Resta a mulher, talvez ela tivesse se levantado sorrateiramente e cortado a corda enquanto ele dormia placidamente; mas por qual razão haveria ela de cortar a corda, assim sem mais nem menos?
Estou impressionado com a narrativa do Zacarias. Ele sai – “adeus, professor!” – (será que vai se suicidar?) com uma gravura debaixo do braço, os ombros balançando de um lado para o outro, o cavanhaque suado e a porta batendo à sua partida.
Volto então aos meus filmes, e a corda agora balança na minha mente. Não tenho nada a ver com o acidente, com o incidente, mas Jeremias tem os seus bons motivos, não pode se complicar ou é deportado, encaixotado e carimbado como um amontoado de arenques – este lado para cima. O outro da chave pode jogá-la num abismo ou num rio, há tantos rios por aí cheios de lodo, quem é que iria procurar uma chave nos intestinos de um rio canalizado? Se bem que o sumiço da chave não prova nada, existe a também a mulher, que bem poderia ter sumido com uma daquelas estatuetas raras que ficam naquelas estantes povoadas de livros – metafísica, dialética, dietética – e vai ver que sumiu mesmo.
É mais fácil achar uma chave no fundo lodoso de um rio do que notar a falta de um elefante naquele apartamento, principalmente se for de marfim. O zelador não iria escalar a lateral do prédio e ficar com as unhas esfoladas, nem subir pela corda e ficar com a palma das mãos pior que as de Cristo depois que lhe pregaram os pregos, para cortar a corda na altura do décimo primeiro andar e correr o risco de cair com ela – subiria no máximo subiria até o quinto – e o pintor, se quisesse se suicidar, tomaria um balde e meio de verniz e teria uma disenteria de envenenar o mundo antes de dar a sua última contorção.
Agora abandono os filmes de vez e acendo a luz fluorescente que fica no teto sobre a minha cabeça. Arrasto o banco para trás e cerro os olhos. Já faz muito tempo, muitas horas, que estou trancado aqui neste estúdio, sem comer e sem dormir. Isto não é uma cela, nem internato, o que estou fazendo aqui que não vou embora?

Já nem sei o que tenho feito, ao certo, os dias e o calendário já perderam o significado e o sentido.
Ponho a mão no bolso – o que é isto!?
É uma chave.
Vejamos – minha não é, pois a minha é verde. A do estúdio também não, que se fecha com cadeado. Também não é chave de carro, e eu não tenho carro. Lembro-me com clareza que esta chave me foi dada pelo Zacarias, faz mais de um mês. Eu havia deixado um álbum de músicas clássicas sobre a sua cama, e temi que se transformasse em pedestal para uma pilha de livros, então ele me deu a chave para eu ir buscá-lo. Mas... então eu também possuo a chave do apartamento! E ela queima a minha mão como um talismã do inferno.
A corda.

Zacarias não foi, estava na praia. Jeremias não foi – que lhe importam as cordas? O amigo não foi, vai jogar fora a chave, e assim perder a oportunidade de novas aventuras. A mulher prefere roubar elefantes, e a modelo cuida mais de fotografar semi-nua. O zelador não tem mais idade para ser alpinista, e o pintor morreu como um tomate.

Só restamos nós, eu e a chave.
Já nem tenho certeza de que fechei a torneira ontem, ao sair de casa. Já nem sei se foi ontem. Fecho outra vez os olhos e nem sei a cor da minha camisa, e se ainda sei que estou de camisa é porque me apalpo e a sinto. E a namorada – estará pacientemente me esperando em alguma parte do mundo?

Como posso ter certeza de que não fui eu quem cortou a corda, deslizando como um réptil em direção àquela janela?
Estou começando a sentir enjôo, gravidez é claro que não é, nem maresia. É medo.

Mestre Zacarias me transmitiu todo o seu pavor e toda a sua lógica ilógica.
O que é que eu andei fazendo por aí, se ainda estou com a tesoura entre os dedos? Cortando filmes ou cortando cordas? Escapando da polícia, trancado aqui neste quarto?

Terei sido eu?


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Sigmund falou sobre isso, e não foi pra mim. Talvez para estes loucos, que me rodeiam.

Será que previu algum dos meus dias?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

LENÇÕIS JAZZ E BLUES FESTIVAL: BARREIRINHAS NA ROTA DO JAZZ


É com prazer que divulgamos a resenha de Augusto Pelegrini sobre o festival de jazz e blues, que ocorreu em Barreirinhas, e do qual foi o apresentador oficial.
Parabenizamos a equipe organizadora do evento, desejando maior sucesso ainda na realização da segunda edição do evento.

Por Augusto Pellegrini

Mesmo sofrendo os percalços naturais de um empreendimento pioneiro, o 1º Lençóis Jazz & Blues Festival se revestiu de sucesso. A organização, a cargo de Tutuca Viana e Ivaldo Guimarães, teve que enfrentar imensos problemas de logística em virtude das peculiaridades do evento, realizado em um confortável resort próximo à cidade de Barreirinhas. O acesso do público foi um pouco dificultado por conta da carência de uma sinalização adequada. Isto, aliado a algumas informações controvertidas sobre a venda de ingressos, resultou num público aquém do esperado, embora animado e participativo. O Resort Lençóis Maranhenses, local das apresentações possui um glamour especial por conta do seu belo visual externo, que é moderno, confortável e divertidamente decorado com galinhas de terracota. O clima estava agradável, o serviço de boa qualidade e todos os ingredientes estavam presentes para proporcionar um programa de alta qualidade. A primeira noite contou com a abertura impecável do trio de Jayr Torres, com Jayr na guitarra, Carlos Raquete no baixo e o premiado Isaías Alves na bateria. A bela apresentação do trio não chegou a ser ofuscada por alguns problemas de sonorização e por um humming constante que era perceptível durante as pausas, felizmente solucionado a tempo. O trio passeou entre o jazz convencional e algumas interessantes leituras de música maranhense inserida no jazz. Na seqüência apresentou-se o trompetista novaiorquino radicado em São Luís Jim Howard III, líder, arranjador e criador da Infinity Jazz Band. Também devido à logística, Jim não pode levar a totalidade dos seus músicos, o que de certa forma comprometeu a sua performance, pois ele teve que improvisar algumas músicas utilizando apenas um trombonista, um baixista e um baterista como combo. O punch final contou como duas saxofonistas e dois outros trompetistas quer buscaram criar um clima de big band ao sair dando voltas no meio do público durante a interpretação de “WhenThe Saints Go Marchin’ In” A noitada foi encerrada com um verdadeiro show de técnica e competência oferecido pelo performático gaitista Engels Espíritos, acompanhado pelo seu parceiro Rafa Dorneles na guitarra, ambos perfeitamente assessorados pelo não menos perfeito Carlos Pial na percussão. O trio interpretou algumas músicas do próprio Engels, numa pegada alegre e movimentada de country-blues e rhythm & blues. A segunda noite teve solucionados os problemas de sonorização e humming, e começou no embalo do blues e do rock-a-billy com o extraordinário Edson Travassos – leia-se “Manifesto Blues”, sua marca registrada – acompanhado pelos essenciais Oliveira Neto na bateria e Samy “Sam” Aranha no baixo. A banda continuou no palco para receber Jefferson Gonçalves, um gaitista completo que soma o som do blues às mais diversas correntes e nuances da música instrumental moderna, extraindo do seu instrumento muita alma e muita técnica – às vezes ele passa a impressão de que são dois gaitistas tocando melodia e harmonia ao mesmo tempo – viajando do Delta do Mississipi até a zona agreste do nordeste brasileiro (um determinado espectador mencionou que Jefferson parecia ter “duas bocas” para extrair tal som!).

Finalizando as apresentações, o percussionista Luís Cláudio brindou o público com uma excelente performance solo, tendo como apoio musical uma trilha gravada com sons que variavam do etéreo ao instrumental popular, à qual acrescentou diversos efeitos percussivos de grande riqueza sonora.

O ambiente do Festival começou a ser sentido antes das apresentações, com um inusitado cortejo musical pelas ruas da cidade de Barreirinhas proporcionado por Jim Howard III e os membros da sua Infinity Jazz Band, criando nos moradores um clima de surpresa e estupefação, (o que está acontecendo por aqui?!) e terminou no palco do resort na sua segunda noite, deixando aquele gosto de “quero mais” na boca do público. Louve-se o trabalho da jornalista Patrícia Santiago, responsável por levar o som do Festival para além fronteiras do Maranhão por seus valiosos contatos com outros assessores de imprensa, jornalistas e produtores culturais de diversos setores artísticos, além do seu suporte inestimável dado à organização, da qual ela passou definitivamente a fazer parte. Estamos em contagem regressiva para o 2º Lençóis Jazz & Blues Festival, daqui a um ano, quando teremos, sem dúvida, novas e surpreendentes atrações. Quem viver verá.

domingo, 18 de outubro de 2009

OITICICANA



sem parangolés nem patrões
que a chama apenas se extinga
no mau cheiro da carne tórrida.
desvão da arte comida
que comove
mar de gente
um vergonhoso fogo amigo
que não suporta mais o tempo.


(poesia dedicada a Hélio Oiticica.)

domingo, 11 de outubro de 2009

BOLINHAS DE AÇO


Tinha, naquela hora, ganhado a rua pra comprar jornal na banca de revistas como desculpa para passar o tempo.
Encontrava-se em meio à balbúrdia dos carros que passavam num frenesi de motoristas que se apressavam na volta para a casa como a evitar o engarrafamento do trânsito. Na cabeça só pensamentos esparsos e incertos. Foi quando se deparou de forma surpreendente com uma prosaica esfera de rolamento, suja de graxa espessa e com muita terra ao seu redor. Logo ali aos seus pés estava o objeto que lhe era tão familiar e que lhe abrira, naquele momento, as portas de uma viagem vertiginosa para dentro. Um busca que lhe pareceu estranha.
Depois de tanto tempo ela estava de novo como a reclamar o significado de uma vida e uma grande espera.
Como se o convite fosse feito, ele a recolheu do chão e pôs-se a rir num contentamento que o deixava nervoso. Tratou logo de cuidar da bolinha, limpando-a de cada grão de terra em meio a óleos desgastados com um carinho esmerado. De repente, voltou-lhe a lembrança da infância, quando havia muita luta da criançada nas disputas dos jogos de peteca, pois quem possuísse as maravilhosas bolinhas de aço leva vantagem no jogo. Era na época de chuvas que a brincadeira corria solta e que a algazarra dos meninos se completava num corre-corre de um lado para o outro. Tempo de pés enlameados e de cheiro de terra molhada que naquele momento lhe tomava as narinas novamente. Aquelas bolinhas tinham peso e personalidade; diziam-se de aço e prestavam-se muito bem, ao atingir as petecas de vidro dos adversários, para quebrar-lhes as almas. Tec! E pronto. Uma banda para cada lado era o espólio e o resultado de míticos duelos. Choro peremptório do perdedor ante o riso insolente do dono da peteca de aço. Era difícil encontrar aqueles tesouros de aço e por isso, agora ele sabia, sorrira tanto ao reencontrá-la ali graciosamente depois de tantos tempos e ao alcance de seus olhos. Era como se dali saísse correndo para uma infância que há muito deixara guardada em algum escaninho de quimeras. Tinha novamente trazido pra si a beleza daquela vida de inocência e de generosidade. Resgatou a convivência de amigos que se perderam pelos caminhos. Mas agora não; todos estavam ali juntos mais uma vez para de novo brincar de peteca, contar estórias e correr descalços pelas ruas. Todos na sabedoria da memória que recupera vidas num segundo.
Então tornou a olhar fixamente a esfera agora já limpa nas mãos. Mirou-a mais uma vez e sentiu-se ante a um espelho provocado pelo brilho intenso que reluzia na sua frente. Deixou de ser criança e voltou, pouco a pouco, para seu corpo adulto, alquebrado por tantas idas e vindas próprias a existência de um homem de cenho forte e já maduro. Mas era diferente o riso que mostrava agora entre os dentes.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

UMA PROSA DE JAZZ COM AUGUSTO PELLEGRINI


augusto pellegrini festejando seu canto
Comemorando a realização do 1º LENÇÓIS JAZZ AND BLUES FESTIVAL, que ocorre no dias 10 e 11 de outubro, em Barreirinhas, no Maranhão, publico abaixo a íntegra da entrevista virtual dada por Augusto Pellegrini (jornalista, cantor de jazz e autor do livro Jazz:das raízes ao pós-bop, publicado pela editora Códex) à jornalista Inara Rodrigues do Caderno Impar de O Imparcial.

Augusto Pellegrini será o apresentador oficial do festival e a programação faremos a divulgação aqui no blog.


Caro Augusto, aqui vão as perguntas. Desde já agradeço a colaboração. Um abraço. Inara Rodrigues.

1- Fale da sua carreira musical. Quando a música entrou na tua vida e como foi esse processo da iniciação musical até hoje?
Eu tenho três carreiras musicais. Uma, a mais natural, é como apreciador, pois foi aí que tudo começou. Ainda adolescente, comecei a me interessar por alguns discos que ouvia na casa de parentes e que diferiam fundamentalmente daquilo que era tocado no rádio, Entre as preciosidades, peças de jazz orquestrado (Benny Goodman, Artie Shaw, Harry James), chorinho (Jacob do Bandolim, Severino Araújo, Luiz Americano), música erudita ou semi-erudita (Chopin, Tchaikovski, Strauss), orquestras (Mantovani, Percy Faith, George Melachrino) e até tangos de Carlos Gardel. Comecei a me aprofundar na coleção e no conhecimento do jazz e logo depois que cheguei em São Luís, em 1982, comecei a fazer o programa Mirante Jazz na Rádio Mirante FM. Como sempre gostei de cantar e era incentivado a fazê-lo, comecei a partir de 2000 a utilizar as nuances e as improvisações do jazz como cantor, tendo me apresentado em diversos bares, restaurantes e teatros de São Luís.

2- E o jazz, sempre te acompanhou nessa trajetória? Fale um pouco dessa experiência com o jazz.
Minha experiência com o jazz é bastante estranha, porque não toco nenhum instrumento mas costumo dizer que tenho "um ouvido de elefante" pois assimilo perfeitamente os sons e as harmonias, e consigo reproduzir vocalmente os elementos do jazz. O jazz faz parte da minha vida como uma contribuição cultural muito importante.
3- Fale do seu programa na rádio. Quando começou, como surgiu a idéia, como é o roteiro, o que toca etc.
O programa Mirante Jazz começou em 1982 e durou até 2004, quando saí da Rádio Mirante e ingressei na Rádio Universidade, onde estou até hoje. A partir de então ele se chama Sexta jazz. A idéia surgiu durante uma feijoada na minha casa, quando um amigo, Armando Le Fosse, encantado com o material que eu possuia sugeriu que devêssemos fazer um programa do gênero. Ele procurou a Rádio Mirante e negociou o programa com eles. Fomos parceiros na emissora até 1985, quando ele foi embora de São Luís, e eu passei a produzir e apresentar sozinho. A idéia é tocar todas as vertentes possíveis, com ênfase para o jazz do século 20 - desde o tradicional até o pós-bop - e de mesclar música com comentários pertinentes (músicos, compositores, curiosidades, etc.).

4 - Como está o movimento jazz em São Luís? Ele está acontecendo? Há espaço? O que falta?
O movimento do jazz em São Luís está melhorando consideravelmante. Hoje em dia o jazz já consegue levar público para as apresentações, diversos músicos se engajaram no estilo e outros músicos estão se engajando. É um processo lento, pois o músico de jazz precisa ouvir muito para entender as minúcias e as particularidades musicais, que não são poucas, a fim de obter o feeling necessário para a sua interpretação. Os espaços para apresentações de jazz estão aumentando timidamente graças a muitos heróis que se dispõem a trabalhar até de graça para que os shows aconteçam. Falta um imcentivo maior de produtores e patrocinadores que possam ver no jazz não apenas uma aventura musical curtida por uns poucos diletantes, mas como um negócio que dê público e retorno financeiro. Falta a coragem dos patrocinadores para venderem um produto classe A.

5 - Quem são suas referências no jazz?
São muitas. Cada época e cada tipo de instrumento tiveram uma contribuição importante no meu comportamento de jazzófilo. Louis Armstrong, Duke Ellington, Charlie Parker, John Coltrane, Dave Brubeck, Chet Baker, Joe Pass, as bandas de swing, e vocalistas como Billie Holiday e Ella Fitzgerald são algumas das minhas referências.

6- Por que o jazz? O que sente ao ouvir e tocar ou cantar jazz?
Porque o jazz embute uma mensagem que extrapola a música. O jazz mexe com o sentimento do artista e do ouvinte devido à liberdade que o artista tem para criar e improvisar. O jazz instrumental se assemelha à voz humana, e o jazz cantado se assemelha ao som dos instrumentos. O jazz permite ao instrumentista ou ao cantor viajar dentro de uma linha harmônica, visitando patamares nunca antes visitados. Dificilmente, por mais que se ensaie, uma apresentação de jazz soará exatamente a mesma coisa, seja ele puramente instrumental ou com a participação de um cantor,

7 - Tem projetos voltados para o jazz?
Tenho músicos e parceiros que sempre foram voltados para o jazz ou que estão despertando para o jazz neste exato instante. São Luís tem músicos de alta qualidade que estão se descobrindo como jazzistas, se interessando pela matéria, pesquisando, ouvindo e educando as suas habilidades no jazz, o que faz com que a gente se anime em pensar projetos futuros que envolvam não somente o jazz convencional mas boa parte dos seus assemelhados, como o blues (de onde tudo começou), a bossa-nova, o rock, o soul e outras manifestações do gênero. Hoje em dia é possível a gente sonhar com projetos de jazz porque estamos cercados de músicos (espero não esquecer de muita gente) como Celson Mendes, Julinho Pinheiro, Fleming, Jayr Torres, Isaias Alves, Miranda Neto, Jeff Soares, Mauro Travincas, Edson Travassos, Milla Camões, Marcelo Bianchinni, Arlindo Pipiu, Jim Howard, Gonzaga de Sousa, Pedro Duarte, Júlio Cesar, Antonio Paiva, Rogério Leitão, Maninho Quadros e de pessoas que batalham pela causa como Celijon Ramos, Ronald Almeida, Érico Cordeiro e Tutuca, que neste exato instante está fazendo das tripas o coração para que a realização do 1º Lençóis Jazz & Blues Festival seja não só possível mas também um sucesso.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


paul klee, 1922 - Senecio


em tempo de escuro
quando as palavras estão
pesadas como ferro
retorcido tempo
que se a boca tem um fel de chumbo
que se quer engasgar
e os caminhos não são
mais que silhuetas
fragmentos do provisório
e tudo incerto,
notório
mais que sempre
é preciso poesia,
a vida que se escorre pelos dedos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

JAZZ DAGEMA RECEBE AUGUSTO PELLEGRINI COM "OLD TIMES POP".


AUGUSTO PELLEGRINI é um cantor conhecido por suas apresentações de músicas de jazz, bossa-nova e MPB. Nos últimos anos apresentou-se em diversos locais de São Luís, incluindo bares, restaurantes, teatros ao lado de músicos como Celson Mendes, Julinho Pinheiro, Paulo Trabulsi, Maninho, Victor Castro, Arlindo Pipiu e Luís Júnior.

Por quase trinta anos, Pellegrini participa de um projeto de incentivo ao jazz no Maranhão, quer seja através de programas radiofônicos - Mirante Jazz e Sexta Jazz – quer seja através de artigos de jornais, palestras e de um livro publicado. Promoveu uma salutar “invasão” do jazz no Clube do Choro sob a égide do seu presidente, o radialista e cientista social Ricarte Almeida Santos, divulgando este tipo de música para um público seleto que se mostrou plenamente satisfeito com a experiência.

A exemplo de um show apresentado com sucesso no ano passado com uma leitura jazzística da música dos Beatles, o show desta sexta (18.09) - Old Times Pop - fará uma abordagem diferente, focalizando músicas pop dos anos 1960 e 1970 e buscando se enquadrar no Projeto Jazz DaGema, também através de uma leitura voltada para o jazz e para o blues.

No programa, músicas que foram sucesso em gravações de Elvis Presley, Janis Joplin, Stevie Wonder, B.J.Thomas, Morris Albert, Classics IV, Burt Bacharach, Carole King, Creedence Clearwater, Mamas & Papas, Beatles, Simon & Garfunkel e Frank Sinatra.

Os músicos que participarão do show não fazem parte dos acompanhantes regulares do cantor. Paulo Pellegrini (teclado) e Otávio Parga (baixo), ex-integrantes da Daphne, formam atualmente a banda de pop e rock Mr. Simple. Jeff Soares (guitarra) é acompanhante regular da cantora Milla Camões e participa do Quinteto Bom Tom, onde toca baixo e cello. Daniel Aranha (bateria) toca na banda Infinity Jazz Band, uma orquestra de dezesseis elementos regida pelo maestro, compositor e trompetista Jim Howard.

O show mescla músicas empolgantes com baladas clássicas e se mantém interessante do princípio ao fim devido à diversidade e à mudança de clima constante.

SERVIÇO

O QUÊ: Augusto Pellegrini "Old Times Pop" no Jazz Dagema.
ONDE: Bar e Restaurante Dagema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol).
QUANDO: SEXTA (18/09), a partir das 22:00h. Couvert artístico: R$ 5,00.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

JAZZ DAGEMA RECEBE MAURO SÉRGIO QUARTET


Mauro Sérgio e Marcus Lussaray



É o quarteto do contrabaixista Mauro Sérgio que vai se apresentar no Jazz Dagema no sábado (12).
No repertório do grupo composições Pet Metheny e Chick Corea entre outros grandes compositores do jazz.
O quarteto é formado por Mauro Sérgio no contrabaixo, Marcus Lussaray (guitarra), Rinaldi (teclados) e Isaias Alves na bateria. Vale conferir a performance dos talentosos músicos e divertir-se com os amigos ao som de boa música.


SERVIÇO

O QUÊ: Mauro Sergio Quartet no Jazz Dagema.
ONDE: Bar e Restaurante Dagema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol).
QUANDO: Sábado (12/09), a partir das 22:00h. Couvert artístico: R$ 5,00.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

JAYR TORRES TRIO NO JAZZ DAGEMA


Foto: Fafá
A apresentação de Jayr Torres Trio, sábado passado no Jazz Dagema, confirmou as razões pelas quais o baterista Isaias Alves foi o vencedor do Batuka! Brasil deste ano. A atuação do musicista revela uma agilidade frenética e com muita energia; noutras vezes o que domina é a parcimônia, quase a paz. O resultado disto tudo são sons leves, suaves – quando o músico demonstra todo o domínio na técnica das vassourinhas com as quais acaricia sua bateria, ou sons vivos, firmes e decididos, quando emprega as baquetas.

Foto: Fafá
Por todos os aspectos que se queira analisar, a verdade é que ao se ouvir Isaias Alves tem-se a sensação de estar-se diante de um músico completo e já grande. Não se contenta em formar a seção rítmica, esbanja seu talento trazendo a bateria para frente da cena e com isso quem ganha é o trabalho coletivo do trio para o qual muito contribui a condução serena e segura do contrabaixista Carlos Raqueth.
Antes que mais se diga, é importante ressaltar a condução impecável do líder Jayr Torres que, além gerar solos hipinotizantes, limpos, tem a generosidade de ressaltar a participação envolvente de cada um dos membros do combo. Não há vaidades e cada músico pode desfilar, nota por nota, a possibilidade do improviso, demonstrando o estágio de evolução de sua técnica de execução.

Esse resultado harmônico desejável, no entanto, é difícil de ser atingido no jazz. É aqui que reside o ardil da batuta do músico-lider e demonstra-se a funcionalidade e a virtual genialidade do líder do combo. Um excesso no controle dos membros pode arruinar a fluência rítmica, assim como se torna perigoso permitir a sobressalência desmedida de egos dos músicos. O resultado, nesse caso, geralmente é a destruição do sentido harmônico do grupo.
Quando isso ocorre, literalmente, jaz e fim de papo. Jayr, ao contrário disso, revelou que não é somente um grande guitarrista. Entre outras qualidades, tem a atitude de saber dosar os egos com controle flexível, qualidades que o tornam um verdadeiro capitão.
Pois bem. Jayr Torres Trio vai-se apresentar novamente no sábado (5) no Jazz Dagema. É um show que não se pode deixar de assistir. Até lá!


SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz Dagema recebe Jayr Torres Trio.
ONDE: Bar e Restaurante Dagema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol).
QUANDO: Sábado (05/09) a partir das 22h. Couvert artístico R$ 5,00.Informações: pelo telefone (98) 32353588.