segunda-feira, 24 de agosto de 2009

JAYR TORRES TRIO NO PROJETO JAZZ DAGEMA


Jazz DaGema tem o prazer de receber em 29 de agosto Jayr Torres Trio.
A satisfação é redobrada, pois coube ao trio abrir o projeto, ainda no mês de julho, e, claro, nos dará o prazer de apreciar a desenvoltura da execução do guitarrista Jayr Torres. Ele revela na guitarra uma profusão sonora rica em cores.Tira tanto som de seu instrumento que o transforma em muitos.
Foto: arquivo de Jayr Torres
Mas o retorno do trio aos palcos do Jazz DaGema é também para comemoração, afinal ouviremos a bateria do talentoso Isaias Alves, que foi o grande vencedor do Concurso Nacional de Bateristas - o Batuka! Brasil, edição 2009. Uma verdadeira façanha que projeta o nome deste músico, que já chamava atenção desde a primeira vez que o vi tocar. A premiação veio confirmar o que se intuía. Compõe o grupo ainda o contrabaixista Carlos Raqueth. O trio apresentou-se no último fim-de-semana em Fortaleza e é muito aguardado o show que fará no Jazz DaGema.
SERVIÇO
O QUÊ: Projeto Jazz DaGema recebe Jayr Torres Trio.
ONDE: Bar e Restaurante DaGema. Couvert artístico R$ 5,00. ( Av. dos Holandeses, Ponta do Farol)
QUANDO: 29 de agosto, a partir das 22:00h. Informações: (98) 32353588.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

PROJETO JAZZ DAGEMA RECEBE SAINT LOUIS BLUES BAND


O palco do projeto Jazz Da Gema recebe, sábado (22), Saint Luis Blues Band.
A diversidade de gêneros musicais está perfeitamente de acordo com a linha evolutiva do jazz, que é pródigo em receber diferentes contribuições culturais, como é emblemática a esse respeito a obra de John Coltrane, em que estão presentes também elementos da música oriental, por exemplo.
No caso, o blues está mesmo umbilicalmente ligado ao nascimento do jazz e nada mais justo celebrar, abrindo espaço para Saint Luis Blues Band cujos músicos fazem um blues de grande beleza.
Fonte: Arquivo Fernando Japona
O grupo é formado por Fernando Japona (guitarra), Pablo Habibe (guitarra) Léo Torres, no baixo e Andre Grolli na bateria.
O show tem como base a estrutura do blues, mas a banda promete fazer surpresa na linha jazzística e contará ainda com canja especial do bluesman José Luis Mejías - Black Mama (violão e voz - blues acústico), da Espanha.

SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz da Gema recebe SAINT LUIS BLUES BAND.
ONDE: Bar e Restaurante Dagema, com couvert artístico (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol).
QUANDO: Sábado, 22/08, a partir das 22h.
Informações: pelo telefone (98) 32353588


domingo, 16 de agosto de 2009

MILA CAMÕES ARRASA NO DAGEMA


Foto: Fátima Cristina. A cantora Mila Camões
Satisfação é a palavra para definir o estado de espírito da platéia que esteve presente ao Jazz da Gema, ontem. Quem proporcionou esse arrebatamento foi Mila Camões. Uma cantora segura, que possui todos os atributos necessários para ser o que é: uma grande singer de jazz. Sua voz é melódica, lírica e tem um calor humano que enternece sem prejuízo da condução muito técnica ao desfiar um repertório primoroso das song do jazz, ontem à noite no Dagema.
É um bálsamo mesmo vê-la cantar. É plástico. Canta com cada sentido. Quando se recosta ao microfone, emitindo cada nota de canto macio, ou ao cerrar os olhos sentindo a pungência dos detalhes de cada letra da canção. É aí que nos revela uma interpretação própria. É como se estivesse procurando caminhos, atalhos que pudessem fazer-nos revelar novas texturas de canções já consagradas do repertório jazzista. Mila não as reproduz a pena, cunha um novo sentido para as frases melódicas com essa sua entrega de corpo e alma ao canto.
Mas ninguém ganha doce sozinho.
No caso de Mila Camões, cada pedaço do bom-bom dourado e premiado deve ser dividido, merecidamente, por cada um dos membros do Bom Tom, que ontem a acompanharam na formação de quinteto. O que fica patente deste grupo é o estupendo entrosamento dos músicos, jóias já lapidadas. Calejados na experiência, estão assentados nas riquezas técnica e expressiva dos sons que produzem de seus instrumentos. O que surge disto é uma conversa partilhada onde nenhum músico ofusca o outro e todos têm seu grande momento. O coletivo é maior que cada parte; daí e relevância desse som entrosado do Bom Tom e foi assim que coloriram de imagens e sons uma apresentação admirável e única de Mila Camões. Salve Celson, Julinho, Miranda Neto, Fleming e Jeff Soares. Que se tenha mais e mais!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

MILA CAMÕES E QUINTETO BOM TOM NO JAZZ DAGEMA


Foto:Fátima Cristina

A cantora Mila Camões é a estrela do sábado no Jazz Dagema. Se você ainda não a conhece, esta é a melhor oportunidade de assistir a um canto primoroso e comovente.
Mila estará acompanhada do Quinteto Bom Tom, de Celson Mendes e companhia e promete fazer uma apresentação inesquecível. Tudo à altura de seu talento.
Para quem ainda não sabe, a cantora está concluindo os últimos detalhes de seu CD de estréia, que será lançado brevemente. Quem já está acostumando a sua voz encantadora fica de sobreaviso, aguardando o lançamento de seu trabalho.


SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz Da Gema recebe MILA CAMÕES E QUINTETO BOM TOM
QUANDO: Sábado (15/08), às 22h.ONDE: Bar e Restaurante Da Gema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol)
Informações: Pelo telefone (98) 32353588


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

MANINHO QUADROS NO JAZZ DA GEMA


Maninho Quadros
O Jazz da Gema recebe MANINHO QUADROS & BANDA no sábado (8), mas é o publico que se agraciará com um presente do tamanho da música de Maninho Quadros.
O artista está na estrada desde 1981 e já participou de momentos importantes da música maranhense e de outros estados, seja como sideman ou como protagonista.
É grande a lista de músicos que Maninho já acompanhou, fato que realça a excelente qualidade técnica do instrumentista. Mas, por já ter tido o privilégio de ouvi-lo tocar bem de pertinho, prefiro chamar atenção pa
ra a execução primorosa, sinuosa, mas limpa, que Maninho produz na sua guitarra.
Maninho Quadros
O que se evidência desse toque, sutil quando pertinente e enérgico quando necessário, é a influência direta de Wes Montgomery. A comparação não é exagerada, principalmente, pela importância que Wes tem para o desenvolvimento da guitarra no jazz. Basta ficar atento a que Maninho toca para se perceber claramente sua filiação ao grande mestre. Vale a pena ouvir as linhas melódicas que o guitarrista desenvolve com tanta fluidez.
O artista será acompanhado por sua banda (saxofone, bateria e contrabaixo) e apresentará temas de jazz, entretanto, também prometeu rearranjar canções da bossa nova que serão interpretadas ao seu modo. Ou seja, com muito improviso, transformando outros estilos em puro jazz.

Texto: Celijon Ramos

SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz Da Gema recebe MANINHO QUADROS & BANDA
QUANDO: Sábado (08/08), às 22h.ONDE: Bar e Restaurante Da Gema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol)
Informações: Pelo telefone (98) 32353588








segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A ROTA CERTA



















As fotos falam por si. Mas que a apresentação de Augusto Pellegrini no Jazz da Gema foi algo de sensacional, ah, isso foi!
Sobraram alegria e contentamento do público pela dádiva que lhes foi entregue com a grande performance dos músicos. Basta ver a expressividade das fotografias realizadas por Fátima Cristina, que captou momentos singulares.
Meu agradecimento especial ao Celson Mendes, Miranda Neto, Júlio Pinheiro, Fleming, Jeff Soares e ao mestre Augusto Pellegrini por nos mostrar que a rota do jazz, em São Luís, está certa.







segunda-feira, 27 de julho de 2009

AUGUSTO PELLEGRINI E QUARTETO BOM TOM NO DA GEMA


Quarteto Bom Tom, no Da Gema. Foto: Da Gema food & music
Show de jazz foi a apresentação do Quarteto Bom Tom no bar restaurante Da Gema no sábado passado.
Perfeito é o entrosamento do grupo, que abrilhantou a platéia com desenvolvimentos de temas já clássicos do jazz com muito improviso.

Augusto Pellegrini
Belos, emotivos, às vezes enérgicos ou leves e macios, assim foram os solos de sax e trompete praticados por Júlio Pinheiro e Miranda Neto, que contaram com retaguarda segura de Celson Mendes (violão e guitarra) e Fleming, um baterista cujo toque preciso e leve deixa os demais componentes muito tranquilos para deixar o jazz fluir solto.
Aliás, a atmosfera do local estava tão leve que logo apareceu quem quisesse dar sua canja. Foi o caso de Aquiles que nos revelou uma surpreendente voz e boa interpretação. Por lá também estava o fabuloso e carismático Augusto Pellegrini,
que logo teve que subir o palco e encantar com sua voz, ao desfiar as belas canções da era de ouro do jazz.
Foto: Da Gema food & music
A platéia entusiasmou-se tanto que não deu outra: a próxima edição do Jazz da Gema será com AUGUSTO PELLEGRINI E QUARTETO BOM TOM.
Pellegrini é o dos maiores divulgadores do jazz no Brasil, tendo já inclusive sido premiado por seus instrutivos programas de jazz em rádio pelo Festival de Rádio de Nova York. É escritor e músico, sim, porque voz também é um instrumento e ele a sabe usar como poucos.
Não dá pra perder, não é. Então, até sábado!

SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz Da Gema recebe Augusto Pellegrini e Quarteto Bom Tom

QUANDO: Sábado (01/08), às 22h.
ONDE: Bar e Restaurante Da Gema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol)
Informações: pelo telefone (98) 32353588



sábado, 25 de julho de 2009

ELEONORA E ALBERTA


Billie Holiday fez cinquenta anos de falecida e, claro, seus encantos e talentos foram decantados em inúmeras matérias na internet. Recebi email de Augusto Pellegrini com o conto Eleonora e Alberta que foi publicado no seu livro O Fantasma da FM (1992).


O autor está revisando os contos e pretende reeditar o livro brevemente. Já o havia lido e por possuir vários outros bons contos é uma leitura recomendada. Desejando partilhar sua leitura com nossos leitores, solicitei autorização a Augusto para postar o conto que prontamente concordou.

Ei-lo. Espero que gostem!




Eleonora e Alberta


Por Augusto Pellegrini



Quando Eleonora nasceu, nos idos de mil novecentos e quinze, em um cortiço mal-cheiroso de Baltimore, sujo e negro como todos os cortiços do mundo, afagada pelo vento do mar e pelo cheiro forte de peixe – o peixe colocado nos caixotes com gelo e as vísceras cobertas por moscas azuis se entulhando junto ao lixo da baía de Chesapeake – Alberta já era uma graciosa jovem.
Alberta era dona de uma simpatia irradiante que sempre a acompanhou ao longo da vida, embora nunca tenha sido bonita. Tinha o rosto comprido e os olhos maliciosos, o cabelo crespo preso atrás da nuca e os gestos bruscos, e parecia bem mais jovem na simiesca figura dos seus já vinte anos.
Eleonora chorava vagidos de melancolia usando a máscara do desencanto e da desilusão que seria o seu rictus perene, encolhida nos braços pouco espertos e mal-costumados de uma mãe de pouco mais de treze anos de idade. Ela havia sido expulsa de casa com a severidade vitoriana do pai inconformado e da mãe indignada – afinal, se perder assim vá lá, tantas são as mocinhas que tropeçam no umbral da existência, mas não com um músico semi-analfabeto, um miserável desempregado que, além de tudo, era negro!. Se pelo menos tivesse “errado”, mas com o filho de um comerciante, ainda poderiam sobrar uns dólares de prata para consertar o mal-feito...
A mãe de Eleonora, inexperiente e confusa, havia conseguido um emprego de ajudante na casa grande de um burguês de classe média alta e fazia os seus deveres como se a Guerra de Secessão ou se Abraham Lincoln não tivessem existido, como se os escravos não tivessem sido alforriados e a chibata ainda cantasse vergalhando os dorsos cor de pau-de-canela.
Enquanto Eleonora chorava e sua mãe lustrava a bandeja de prata que chegara da Inglaterra no bojo do Mayflower, Alberta exibia seus dotes artísticos e exercitava o seu canto em alguns dos chamados cafés e casas noturnas de uma Chicago que começava a aprender as manhas da violência com a influência siciliana da mão negra, a “cosa nostra”.
Eleonora Fagan, com seu nome de foto-novela, estava começando naquele instante uma vida mais voltada para o último ato de uma ópera do que para o último capítulo de uma história de amor, mais para tragédia grega do que para comédia francesa, mais para heroína de injetar na veia do que para heroína de folhetim, uma vida ao mesmo tempo predestinada ao sucesso e ao insucesso.
Já Alberta, com seu nome de nobreza, se constituía numa rainha da noite, compondo e cantando músicas e sendo cortejada pelo blues, mesmo sem esquecer o seu passado, a infância precária na Memphis racista, os atentados da Ku Klux Klan, a falta de oportunidades e o ingresso na marginalidade precoce sob o olhar do xerife ruivo, gordo, intolerante .e beberrão
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No ano de mil oitocentos e noventa e cinco, tanto na poeira de Memphis como em qualquer outro lugar dos Estados Unidos, a vida não era fácil para camareiros de trens e de bordéis, principalmente se fossem negros, representando uma constante e monótona troca de lençóis e fronhas sujos pelos freqüentadores de curta duração e pouco banho, e pelos passageiros de longo percurso, repletos de parasitas, coceiras alérgicas e sífilis, percevejos à parte.
A mãe de Alberta era camareira de bordel, e seu pai um camareiro de trem.
Educar uma menina dentro do ambiente alegre, mas libertino, era uma tarefa complicada para uma mãe que não desejasse ver a filha envolvida com algum soldado de passagem ou com o próprio garçom ao final da noitada.
Assim, quase que estimulada pela própria mãe, que lhe entregou alguns poucos dólares disponíveis no momento, Alberta colocou seus parcos trapos numa maleta que tomou emprestada a uma daquelas mulheres que a sua mãe já lhe proibira de conversar, dependurou nas orelhas um par de argolas douradas e se pôs na estrada antes mesmo de completar oito anos, arrastando seu chinelo rumo ao desconhecido, evitando embarcar no trem onde o pai estava naquele exato momento apanhando as botinas de um próspero mercador de remédios para lhes dar uma demão de graxa.
Alberta chegou à poeirenta Chicago e foi esfregar o chão de um botequim qualquer enquanto ouvia interessada as cantoras da moda cantarem os seus blues e spirituals.
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Quando Eleonora nasceu, e abriu os olhos para o mundo por quem seria devorada pouco a pouco, Alberta jê era perita em alta malandragem, sentando-se no colo daqueles bêbados enlevados com a sua juventude e candura, beijando-lhes a boca sôfrega sabendo a cigarro e Bourbon, beliscando-lhes o lóbulo da orelha numa malícia insuspeita pela sua pouca idade e correndo as unhas pelo peito suado e cabeludo ao mesmo tempo em que tirava as mãos grosseiras e impertinentes que cismavam em se insinuar por onde não deviam. Nesse pega e tira, empurra e põe, afaga e esfrega, lá se ia de embrulho a carteira com o dinheiro do idiota que acabava depois enxotado do bar a ponta-pés por não ter como pagar a conta, atirado à rua por um leão de chácara de dois metros de altura e a cabeça enfiada nos ombros, campeão de boxe do distrito e santo protetor do dono da espelunca e das imaculadas mocinhas lanceiras.
Alberta então se recompunha, abotoava o vestido e ria o riso dos inocentes, para depois dividir a féria da noite com o leão e com alguma amiga leoa que havia participado do jogo.

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Enquanto isso, papai Clarence, habituado com as rodas boêmias, foi pouco a pouco se afastando de Eleonora e de “mamie”, ambas consideradas por ele como um indesejável estorvo.
Após pensar e repensar os prós e os contras, ele resolveu sumir de vez para tocar a sua guitarra e conquistar novas mulheres, obrigando “mamie” a transferir Eleonora aos cuidados de outra mulher que tinha como entretenimento especial espancar a menina sempre que lhe desse na telha, sob qualquer pretexto – fez ou não fez, quer ou não quer, vai ou na vai, gosta ou não gosta, principalmente quando alguma querela envolvia a filha legítima – e aí então, dá-lhe bordoada, na mais pura e cândida crueldade.
Eleonora fugiu.
Saiu à procura de qualquer coisa que lhe quisesse bem, e achou alguma coisa parecida com amizade na companhia de viciados, gigolôs e algumas vagabundas que faziam o ladro negro da juventude dourada dos anos dourados. Logo vieram a detenção, o interrogatório, as lágrimas, o veredito e a internação na diabólica casa de correção onde não se corrigia coisa alguma, um circo de horrores onde o que mais aprendeu foi odiar a vida.
Os fantasmas apareciam para atormentar o dia-a-dia e as dúvidas vinham lhe povoar os sonhos durante a noite.
Os fatos foram se desenrolando como numa fita cinematográfica. Uma menina caiu do balanço e quebrou o pescoço – morreu quase que instantaneamente com os olhos revirados e os braços se debatendo como uma galinha sacrificada em agonia. Eleonora agredida por outra interna e revidando com um cabo de vassoura, a monitora a acusando de ter feito isso e aquilo (“isso” Eleonora até concordava que fizera, mas “aquilo” ela não tinha feito) e então a chamada a um severo parlatório naquele fim de tarde conturbado.
Como castigo, uma noite trancada ao lado da menina morta, os olhos ainda abertos e revirados e a boca entreaberta como que a pedir clemência. Eleonora em desespero junto com a revolta e o medo tendo a impressão que a morta balbuciava o seu nome falando injúrias e maledicências, e a lembrança longínqua da avó morrendo enquanto a ninava em seus braços, cantarolando canções de adormecer e adormecendo para a eternidade...

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E Alberta continuava cantando.
Alberta cantou como um passarinho. Passou a infância, a mocidade, a idade adulta e o princípio da velhice soltando seus trinados e vivendo humildemente, como bem servia a uma filha de camareiros.
Ela encantou com a sua voz rouca e melodiosa até que, aos sessenta anos, sentiu-se cansada e ansiosa por ajudar as pessoas. Cantar simplesmente não bastava, ela tinha que ser como a formiga, laboriosa e útil. Tornou-se então enfermeira.
Alberta ocultava a sua alma de passarinho entre injeções e curativos, termômetros e drágeas, a sístole-diástole do estetoscópio fazendo as vezes do contrabaixo e ditando o ritmo da vida, a sirene da ambulância sabendo ao sopro de Louis Armstrong, Saint James Infirmary.

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Eleonora saiu do internato, voltou parta o colo da “mamie” e caiu nas graças daquele saxofonista com cara de sono a quem chamou de “Presidente” pelo apoio forte e desinteressado que lhe prestava, o que veio tornar o seu horizonte mais azul.
Ela agora cantava com a sua voz de gata, enquanto o Presidente fazia fluir notas dolentes e preguiçosas do seu instrumento dourado. Ela cantou e encantou, encheu os salões de belos sons, viajou e conheceu a América e, como a cigarra de La Fontaine, cantou como se cada dia fosse o último canto da sua vida.
Teve momentos de glória, teve momentos de angústia, teve uma vida de gardênias e jóias. Teve também problemas causados pela cor – afinal, por que Arthur, aquele judeu maluco, teve a idéia de incluí-la numa orquestra composta apenas por músicos brancos?

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Alberta envelheceu sem fortuna, trajando sua roupa simples, casaco puído e calçados de liquidação, carregando seus pecados junto aos embrulhos e aplicando cataplasmas para minimizar as dores, até que lhe apareceu um príncipe pianista – como nos contos de fada – que convenceu o anjo sapeca com mais de oitenta anos e voltar aos palcos.
Eleonora cresceu em cada canção e em cada casaco de visom, em cada jóia e em cada flor a lhe ornamentar os cabelos nas noites de platéia plena, cada nota musical um contrato milionário. No entanto, na hora da verdade, ela se escondia na bebida e na solidão, nas drogas e nas lembranças do passado.
Eleonora era ainda jovem, quarenta e quatro anos de tragédia e glória, quando foi levada para o hospital e morreu de tudo – álcool, tóxicos, tristeza, desajuste e solidão.
O Presidente chorou.
Alberta morreu como uma flor que nunca foi colhida, quase noventa anos de vida peralta e matreira. Nasceu vinte anos antes de Eleonora e se foi vinte e cinco anos depois.
O pianista fechou a tampa do piano como quem fecha um esquife, em sinal de pesar.

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Eleonora Fagan é o nome de batismo da cantora Billie Holiday. O nome Billie foi inspirado numa obscura atriz do cinema mudo chamada Billie Love e o sobrenome Holiday foi herdado do pai Clarence Holiday, guitarrista de orquestra que na verdade jamais lhe emprestara oficialmente o nome. Fagan era o sobrenome da mãe.
Billie Holiday morreu em julho de 1959 e deixou uma obra imortal.
Alberta é a cantora Alberta Hunter, uma das mais consideradas cantoras de blues e gospel, co-autora de Downhearted Blues, ao lado de Lovie Austin – primeiro e maior sucesso de Bessie Smith, mais de um milhão de cópias vendidas em 1923 – ao lado de Lovie Austin.
Ela morreu em outubro de 1984 e deixou como lembrança a sua voz grave e a sua graciosidade.
O Presidente é Lester Young, para quem Eleonora era simplesmente a “Lady Day”.
Arthur, o judeu, é Artie Shaw, clarinetista, maestro e arranjador, que viria tempos depois a escrever uma obra-prima “Encrencas com Cinderela”.


segunda-feira, 20 de julho de 2009

QUARTETO BOM TOM NO JAZZ DA GEMA

Maravilhoso foi o show de Jayr Torres Trio, que deu inicio ao Jazz Da Gema, sábado passado. De Deve Brubeck a Herbie Hancock, Jayr tirou sonoridades incríveis, demonstrando apuro técnico e o grande guitarrista que é. Quem esteve presente não se arrependeu e já está pedindo mais.

É claro que não se perdeu tempo. No próximo sábado (25), quem vai se apresentar no palco do Jazz Da Gema é o Quarteto Bom Tom.
O quarteto, que foi formado há dois anos, revela grande sintonia entre os músicos e possui repertório de mais de 500 músicas voltadas ao jazz, bossa nova e outros estilos.
O combo tem na formação atual Miranda Neto (trompete), Júlio Pinheiro (clarineta, sax e flauta), Fleming (bateria), além de Celson Mendes no violão e guitarra. São músicos experientes e com vastos currículos. O trompetista Miranda Neto, músico de orquestra, já acompanhou Frank Sinatra Jr. O versátil Júlio Pinheiro participou de vários grupos de jazz no sul do país e é reconhecido como um dos bons instrumentistas de sopro do Maranhão. Fleming, que dispensa comentários, é talvez o nosso mais experiente baterista e sua execução é conhecida pela precisão no toque. Celson Mendes, o líder do grupo, é fabuloso violonista e já teve a honra de acompanhar grandes nomes da música brasileira, tais como: Elza Soares, Zé da Velha e Silvério Pontes, Rita Ribeiro, Teresa Cristina, Zeca Baleiro e Célia Maria. O violonista tem ainda o carinho especial de ter dirigido musicalmente por vários anos o trabalho do saudoso mestre Antônio Vieira que lhe gerou enorme prazer e orgulho.

O Jazz Da Gema ocorre nas noites de sábado no bar e restaurante Da Gema. A culinária da casa é especializada na comida mediterrânea e é um excelente lugar para se encontrar amigos e encantar-se com os belos fraseados do jazz. O show começa às 22:00h com covert artístico.


SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz Da Gema recebe Quarteto Bom Tom
QUANDO: Sábado (25/07), às 22h.
ONDE: Bar e Restaurante Da Gema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol)Informações: pelo telefone (98) 32353588

sexta-feira, 17 de julho de 2009

JAYR TORRES TRIO ABRE PROJETO JAZZ DA GEMA







Jayr Torres Trio abrirá, na noite sábado (18), às 22h, o projeto Jazz Da Gema, que cobre uma lacuna na agenda cultural dos apreciadores de jazz da cidade e ocorrerá sempre aos sábados com uma nova atração.

Para quem gosta de boa música, motivo não falta para sair de casa e ir ao bar e restaurante Da Gema, aprazer-se com a culinária da casa, que é especializada na comida mediterrânea, encontrar os amigos e encantar-se com os fraseados jazzísticos do trio de Jair Torres.

O jazz veio a Jayr Torres por intermédio de Pat Metheny de quem achou o “som muito estranho e fascinante”. A partir de então, passou a ouvi-lo tanto até conseguir assimilar “todas aquelas harmonias e improvisos”. Daí não demorou muito receber elogios como os feitos por Toninho Horta ao seu fraseado jazzístico, após uma de suas apresentações.

É, a guitarra Jayr começava a dizer a que veio e a fazer sucesso! O trio é formado, além de Jair na guitarra, por Carlos Raqueth no contrabaixo e pelo talentoso Isaias Alves, na bateria. O primeiro CD do trio já está sendo gravado para registro dos talentos e conhecimentos desses bons músicos.

SERVIÇO

O QUÊ: Projeto Jazz Da Gema recebe Jayr Torres Trio
QUANDO: Amanhã (18/07), às 22h.
ONDE: Bar e Restaurante Da Gema (Av. dos Holandeses, Ponta do Farol
Informações: pelo telefone (98) 32353588

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