O cantor SALOMÃO DI PÁDUA, maranhense radicado em Brasília, apresenta o show Cantando no bar Cumidinha de Buteko, nodia 8 de junho. Autor dos CD “Entre sambas e canções” e“Mais me vale uma canção”, trabalhos que confirmam a maturidade do artista em belíssimas canções da música brasileira. Ponto alto para os arranjosleves e com economia, feitos na medida certa para valorizar umainterpretação encantadora de um artista cujadicção ecolocação da voz nos trazem muito sentimento.
O artista será acompanhado pela elegância musical de Celson Mendes (violão), Miranda Neto (trompete) e Fleming na bateria. Imperdível!
O QUE: SALOMÃO DI PÁDUA – Cantando
ONDE: Bar Cumidinha de Buteko – Rua 17, Cohajap, atrás do antigo Feijão de Corda
QUANDO: Quarta-feira (08/06), a partir das 21 h – couvert R$ 5,00. Informações: 81639776 e 81968456
O caminho de uma canção é algo imponderável. Depois que seu compositor a pare sua sorte está lançada. Há canções que de tão belas todos querem gravar; há aquelas, entretanto, cuja voz de um determinado canto dela se apropria, cunhando-lhe uma interpretação definitiva, uma marca. Com isso impõe uma verdadeira muralha e ao mesmo tempo um verdadeiro convite ao suicídio para os demais mortais que por ventura desejar ousar em uma nova gravação.
Elis Regina é dona de algumas interpretações desse nível, assim como Etta James, Nina Simone, Ella Fitzgerald ou Billie Holiday. Difícil é a arte de recriar gravações clássicas dessas deusas da canção. Geralmente os desafortunados são jogados no limbo do esquecimento ou causam muita chateação a quem resolver ouvir suas malogradas tentativas.
Há ainda aquelas canções que, por ser tão bonitas, são gravadas a granel e de tão executadas ficam quase que insuportável a uma nova audição. Summertime (autores: Dubose Heyward / George Gershwin / Ira Gershwin) está envolvida nessa atmosfera duplamente. Um dos mais conhecidos clássicos do jazz foi imortalizado na interpretação de Billie Holiday, embora eu goste muito da que Ella fez.
Então, é possível uma recriação artística dessas peças já clássicas e que dão tanto medo? Sim. E, particularmente, tive a oportunidade de estar presente a um desses milagres. E isso só é possível se houver um ambiente de liberdade que permita aos músicos essa ligação, que só pode ser com os deuses, para que se possa ter a reconstrução da música, e aí já passa ser uma nova música. Um sentimento vivido de jazz parece ser o ingrediente necessário a esses verdadeiros saltos de arte. Foi o que conseguiu executar, ontem no Empório Paulista, Milla Camões em conjunto com o trio Arpège. A summertime de Milla tem vida, é alegre, mas também pungente e carregada da melhor influência do ritmo do jazz cubano. Cunhou um novo sentido para a música com cores próprias e novo frescor. O arranjo é do contrabaixista, violoncelista e guitarrista Jeff Soares. Júlio Marins atuou com primazia no contrabaixo e George Gomes nos maravilhou com tanto ritmo na bateria. O Arpège foi impecável. Um momento sedutor e inesquecível que merece ter seu registro mais que urgente.
Ontem à noite fui assistir ao show de Taryn Szpilman, no Butequim, aqui em São Luís. O evento faz parte das preliminares para o Festival de Jazz e Blues dos Lençóis que ocorrerá na cidade de Barreirinhas ainda este ano e diz muito do que será sua apresentação naquele festival. Taryn canta com uma energia, mas sem fazer força; tem o controle da arte do canto e foi acompanhada por Cláudio Infante na bateria, Edinho Bastos, na guitarra e por Serginho no contrabaixo que esteve sublime, perfeito; os dois últimos músicos locais que foram muito elogiados por Taryn Szpilman. Considerando que quase não houve ensaio, é um grande reconhecimento ao talento de Edinho e Serginho. Cláudio Infante ao vivo tocando bateria é demais. O homem toca muito bem. Dá pra imaginar como foi agradável acompanhar esse show bem pertinho do palco do qual se sai mais gente com o ouvindo prenhe da grande música. Uma noite de blues perfeito.
Augusto Pellegrini e Trio Arpège fazem apresentação no Empório Paulista. O cantor alegra com seu trio as noites de sexta-feira da casa com muito jazz, blues e bossa nova. O brilhantismo da noite será pleno e terá a participação especial de Milla Camões que encanta a todos com sua voz terna e envolvente.
É um convite certeiro para o entretenimento daqueles que não abrem mão de grandes momentos culturais. Se você ainda não viu esse show, saiba que é imperdível.
O Arpège Trio, que acompanha Pellegrini, reúne a inventividade do contrabaixista e violoncelista Jeff Soares, do guitarrista (emérito solista) Júlio Marins e a experiência do baterista George Gomes. Juntos produzem um som rico, multifacetado e inventivo como requer o bom jazz.
O QUÊ: AUGUSTO PELLEGRINI E TRIO ARPÈGE com participação especial de Milla Camões
QUANDO: Sexta-feira (29/04) a partir das 22 horas
ONDE: Empório Paulista - Ponta da Areia, Vila Premier, ao lado do hotel Premier e em frente ao hotel Rio Poty.
Não há muito que falar quando você dá de cara com seu ídolo. A não ser que você quase congela, o coração dispara e você acha que nada é verdade. Dá um misto de desespero e felicidade, porque não tem como explicar o improvável ou o inesperado.
Ou melhor, nessa história tudo se explica como você lerá e será também cúmplice na audição de uma boa conversa que tive com ninguém menos que Tânia Maria, a dona de um dos maiores swings do jazz contemporâneo e de uma música alegre e contagiante.
Da entrevista, naturalmente, os amigos terão conhecimento e inteireza do que foi conversado no link abaixo, e, evidentemente, não farei maiores considerações, uma vez que o áudio cumpre bem o papel do registro integral do que se conversou. No entanto, alguns momentos, que não foram gravados, foram inesquecíveis e gostaria de dividir com os leitores.
Tânia mostrou-se surpresa por ter sido descoberta em São Luís. A dona dessa proeza foi Fátima Cristina, produtora musical e minha mulher, a quem devo a realização, a produção do encontro e a oportunidade de entrevistar Tânia Maria, além do fato histórico da primeira apresentação da artista num programa sobre jazz em rádio, o Sexta Jazz de Augusto Pellegrini, como Tânia mesmo revelou no ar.
Fafá soube que a artista estava em São Luís a partir de uma conversa na internet com Wesley, músico e fã da pianista. A partir daquele momento, só sossegou depois que conseguiu agendar a entrevista para as 18h de sexta-feira (28 de janeiro de 2011), no hotel Pestana. Para o sucesso da empreitada concorreu diretamente Vânia Correia, irmã de Tânia que foi a grande responsável por sua vinda a São Luís. É que Tânia atendeu o convite para que a acompanhasse nos quatros dias em que estaria na cidade a trabalho. Seria uma oportunidade de ambas reverem seus familiares e amigos. E assim foi.
Aliás, essa é a primeira coisa que salta aos olhos em Tânia Maria tanto é o carinho que ela dedica a sua tia Rejane e a Israel que vivem em São Luís, além de outros da família. A vinculação à família é tão forte que é fonte que alimenta sua música até mesmo na forma de compor. Isso é compreensível para alguém que teve que se exilar como foi seu caso. Depois de sofrer grandes constrangimentos no Brasil dos anos de ditadura, quando foi presa e deve sua carteira de música rasgada por policiais, Tânia deixou o país que tanto ama e a família, sem dúvida, durante todo esse tempo, foi algo positivo como alimento para a grande pianista. A grandeza dessa relação familiar pode bem ser percebida pelo fato de que, numa situação extrema como foi o auto-exílio, seu pai, que a pianista retrata como um grande “ouvido” musical, incentivou-a a ir para Europa por julgar que seu talento e sua música seriam melhor compreendidos. Ainda por cima vaticinou: “minha filha, sua música só será entendida no Brasil daqui a uns vinte nos...”. Acertou em cheio e a musicista colhe os dividendos de tanto trabalho fora do país, agora, em seus shows no Brasil sempre com grande presença de público.
Após tantos anos vivendo fora do Brasil, surpreende ouvir Tânia falar num português primoroso como se jamais tivesse se afastado de sua terra. Ela nos disse que isso era produto de muita leitura e de muita determinação de quem não aceita ficar longe ou esquecer sua pátria.
Com o tempo voando a descontraída entrevista chega ao fim. É ora de fugir da chuva e muito depressa alcançar os estúdios da FM Universidade, onde Tânia participaria do programa Sexta Jazz que naquela noite teve a produção especialíssima de Fátima Cristina. Mas ainda haveria tempo pra maiores emoções dentro do carro.
Passei a perguntar sobre a carreira internacional de grandes músicos brasileiros como Cláudio Roditi, Raul de Souza, dos quais falou com ternura e das brincadeiras que aprontava como a de mostrar e chupar limão de frente para Roditi, quando o músico estava no palco, para desespero do trompetista. Foi quando ela começou a falar sobre Johnny Alf, da importância que Johnny possui como criador da bossa, em suas palavras. Daí deu a cantarolar inúmeras músicas de Johnny Alf, e revelou como ele foi importante para que ela se tornasse pianista. Concordei e fiz-lhe a observação de que o swing presente em sua música provinha diretamente dele. Tânia concordou e para nossa surpresa começou a cantarolar uma música novinha, linda e ainda não gravada que ela compôs em homenagem ao grande mestre Johnny Alf. Dento do carro, a felicidade, minha e de Fafá, já estava completa e já podíamos chegar aos estúdios do Sexta Jazz para continuar uma noite inesquecível para dois amantes do jazz e em especial da música esplendorosa de Tânia Maria.
O programa Sexta Jazz, apresentado por Augusto Pellegrini, vai ao ar hoje às 20 horas pela Rádio FM Universidade e contará com participação especial de Érico Cordeiro, timoneiro há mais de um ano do prestigiado blog JAZZ + BOSSA + BARATOS OUTROS. Os dois mestres do jazz comentarão o livro recém lançado Confesso Que Ouvi de Érico, de onde serão retirados todos os temas ouvidos no programa. O livro nos torna mais próximo do jazz, a partir de resenhas de discos e das histórias contadas pelo autor sobre a vida dos monstros sagrados do gênero musical, além de trazer à luz outros grandes músicos que ficaram injustamente esquecidos pelo tempo. Você pode acompanhar o programa também pela internet através do link: http://www.universidadefm.ufma.br/radio_online.htm.
Esse artigo foi originariamente publicado na Revista Continuum, do Itaú Cultural, em julho de 2007. Achamos interessante a forma objetiva e direta com que trata o tema o autor, muito além dos empolamentos com que o tema é tratado usualmente por especialistas. Por essa razão o republicamos no Soblonicas. Espero que gostem.
Por Thiago Rosenberg
O jazz é uma jam session entre o passado e o presente. Dois tempos em harmonia, dois tempos num constante diálogo musical. O passado na partitura, no tema, na melodia que, previamente composta, serve de base para a música; e o presente no improviso que o artista aplica sobre esse tema. Fixadas no passado, as notas musicais são reorganizadas, remodeladas no improviso do presente. O palco é para o jazzista, portanto, como que uma via de mão dupla entre o antes e o agora, entre o momento de composição do tema e o momento de execução da obra. Piano, guitarra, baixo, bateria, metais, palhetas. Todos os instrumentos afinados para uma viagem sonora no tempo.
Não foi o jazz que introduziu o improviso na música. O jornalista e saxofonista Roberto Muggiati, autor de, entre outros, Jazz: Uma História em Quatro Tempos e New Jazz: De Volta Para o Futuro, lembra que, bem antes do desenvolvimento do jazz, grandes mestres da música clássica já abriam espaço em suas composições para trechos improvisados usando a notação musical ad lib, do latim ad libitum - "ao prazer", ou "à vontade", em português. "Mas o improviso na música clássica era esporádico e praticamente deixou de existir depois da era romântica", diz. "Já no jazz, foi um dos recursos mais usados, e de diversas maneiras - da improvisação coletiva de Nova Orleans à improvisação sobre a melodia, na fase intermediária do suingue; da improvisação sobre os acordes, no bebop, à total abolição de regras, no free jazz."
De acordo com Mario Jorge Jacques, autor do Glossário do Jazz, a semente do improviso jazzístico - bem como o próprio jazz - vem do blues. Mais especificamente do break, procedimento do blues clássico que determina uma pausa na melodia, a ser preenchida por um solo do instrumentista que acompanha o cantor. É quando o músico deixa transparecer, por meio do instrumento, sua voz, seus pensamentos, sua alma. Como diz Edo Callia, pianista da Traditional Jazz Band, "o músico que improvisa precisa de uma boa dose de coragem, pois coloca sua alma no tema, e um pequeno erro pode ser fatal".
O improviso é uma obrigação no jazz? Essa é uma questão polêmica. As big bands, ou grandes conjuntos de jazz, por exemplo, muitas vezes abrem mão do improviso e, tal como uma orquestra sinfônica, se concentram mais no trabalho do compositor ou do arranjador. O que não impede os músicos de se destacarem individualmente. Como afirma Muggiati: "Numa interpretação clássica, o fagotista, o flautista e até o violino solista são ilustres anônimos. Mil fagotistas tocarão o mesmo trecho da mesma maneira. Numa orquestração de jazz, mesmo sem improviso, sabemos que o trompete que ouvimos é de Clark Terry, o saxofone de Phil Woods, o trombone de J.J. Johnson, e assim por diante. Cada músico de jazz possui uma voz própria".
Autor de Jazz - Das Raízes ao Pós-Bop, Augusto Pellegrini defende a idéia de que "não existe jazz sem que exista pelo menos algum nível de improvisação. Isto porque o próprio jazz nasce de uma música que não era transcrita em partituras".
Jacques acrescenta que o improviso no jazz é muitas vezes mal interpretado. "Não é simplesmente uma invenção momentânea e repentista", comenta. "Seu sentido é muito mais amplo e significa a liberdade de criação e de interpretação do músico. O jazzista improvisa frases que podem até ser criadas no momento, mas geralmente são organizadas e trabalhadas a priori. Por vezes apenas algumas ornamentações são introduzidas."
Liberdade é a palavra-chave. Há no jazz liberdade para improvisar; liberdade para se expressar; liberdade de viajar no tempo, de saltar do presente para o passado e do passado para o presente. Liberdade de, ad libitum, mudar o passado com as notas do presente.
Porque é sexta-feira. Augusto Pellegrini e Arpège Quartet apresentam novíssimo repertório em show baile. Para você, é a certeza é ouvir e dançar ao som de belas canções, executadas e interpretadas com a maestria e a elegância de Augusto Pellegrini, Jeff Soares, Júlio Marins, Miranda Neto e Daniel Aranha. Em cartaz, muito jazz (na forma swing), baladas e canções americanas, samba canção, bolero, samba, gafieira e, ainda, o fino da música popular brasileira.
O QUÊ: AUGUSTO PELLEGRINI E ARPÈGE QUARTET – Show Baile QUANDO: Sexta (12/11), a partir das 23:00h. ONDE: Associação do Pessoal da Caixa - Calhau Couvert: R$ 5,00 (não-sócio) e R$ 3,00 (sócio) REALIZAÇÃO: Satchmo Produções (81278879 e 81278837)
Flávio Dino denuncia fraude e questiona posição do PT no Maranhão Disputar uma eleição no Maranhão contra a família Sarney não é tarefa fácil para nenhum postulante ao Palácio dos Leões. Mas, Flávio Dino não se intimidou nem mesmo quando soube que não teria o apoio do PT nacional. Aos poucos, ele foi conquistando adesões por todo o estado até quase chegar ao segundo turno. Nesta entrevista, o deputado federal fala sobre sua experiência e volta a denunciar o intenso uso da máquina e os abusos do poder econômico, “intensamente utilizados pelo grupo Sarney”.
Vermelho: Como avalia o processo eleitoral no Maranhão?
Flávio Dino: Acho que esta análise deve levar em conta fatores nacionais e locais. No primeiro caso, tivemos uma grave dificuldade que foi a decisão da direção nacional do PT de intervir no Maranhão e isso nos tirou tempo de televisão e agudizou as dificuldades que já haviam, postas pela assimetria material. Ela (Roseana Sarney) tinha uma estrutura gigantesca, está no comando do estado, faz parte de um grupo poderoso. Isso foi um fator determinante para esses oito centésimos que faltaram para a definição ir para o segundo turno. Já na cena local, destaco dois aspectos. Primeiro, o campo da mudança, de quem quer ver o estado andar para frente, é majoritário no Maranhão e a nossa candidatura conseguiu representar esse sentimento, o que fez com que saíssemos de um patamar bastante baixo, de um dígito, e chegássemos à ante-sala imediata do segundo turno, com 30% dos votos. O segundo aspecto diz respeito ao intenso uso da máquina, aos abusos do poder econômico, do poder político, a fraude eleitoral, a corrupção, a compra de votos, todos esses fatores ilícitos que foram intensamente utilizados pelo grupo Sarney.
Vermelho: E diante desses fatos, há alguma iniciativa sua ou do partido para buscar justiça?
FD: A princípio, vamos aguardar a iniciativa do Ministério Público porque são fatos públicos e notórios, noticiados inclusive pela imprensa nacional. Há, por exemplo, quitação de contas de água e luz feita pela campanha dela em diversos bairros e municípios, quitação em massa em proveito de eleitores. Isso tudo está documentado, tem a ação da polícia. Então, nossa atitude, num primeiro momento, é a de denunciar politicamente que não foi uma eleição normal; foi uma eleição desigual, ilícita. Ao mesmo tempo, vamos aguardar que as instituições do estado – no caso o MP e a Justiça Eleitoral – tomem as providências necessárias.
Vermelho: Se houver ações por parte dessas instituições, em que elas podem resultar?
FD: A rigor, se o Ministério Público considerar que esses fatos são graves – e na nossa avaliação, eles o são – poderia levar até mesmo a uma nova eleição, juridicamente falando.
Vermelho: Como avalia o comportamento do PT no caso das eleições maranhenses?
FD: O PT do Maranhão foi exemplar. Ele decidiu apoiar minha candidatura, apesar da intervenção nacional. A imensa maioria do PT no estado fez campanha para mim, tanto na capital quanto nas cidades do interior; presidentes de partido, lideranças sindicais e populares, entidades sindicais dirigidas por petistas aderiram à nossa campanha, inclusive dirigentes da CUT estavam majoritariamente na minha campanha, dirigentes da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado Maranhão (Fetaema) etc. Não tenho queixas em relação ao PT do Maranhão. Foi uma minoria que ficou efetivamente com a Roseana. Agora, a direção nacional do PT, na minha avaliação, não respeitou o que o PCdoB representa nessa aliança desde 1989 porque a intervenção feita no Maranhão foi a única no país contra um aliado histórico e contra um deputado que teve, nesses últimos quatro anos, um desempenho muito leal ao governo, e isso, infelizmente, não foi levado em conta. Creio que este seja um tema que deve ser levado para a presidência do PT: por que há dois pesos e duas medidas quando se trata do PCdoB?
Vermelho: Em que momento você acha que finalmente será possível haver uma quebra nessa situação vivida pelo Maranhão?
FD: Acho que o resultado da eleição poderá levar a um reposicionamento da direção nacional do PT. Sou um otimista e sempre acredito que há uma evolução no desenrolar dos fatos políticos no Brasil. Acho que o resultado no Maranhão evidenciou o quanto foi artificial a atitude tomada contra a nossa candidatura. O apoio do PT ao grupo Sarney é incompatível com a própria lógica histórica do desenvolvimento do estado. É insustentável uma situação em que você tem um grupo que domina a cena política de um estado há praticamente cinco décadas e esse estado é o que tem os piores indicadores sociais do Brasil. Durante a campanha, debati exaustivamente este aspecto e cobrava deles: “olha, vocês estão dizendo que querem uma nova chance, uma nova oportunidade, mas por que não fizeram antes, se tiveram todas as oportunidades?”. E colocava para os eleitores: “esse pessoal teve oportunidade de desenvolver o estado e se mostrou incapaz de fazê-lo e não será agora que fará”. E não fará mesmo porque o projeto deles tem um vício de essência: na verdade, eles governam para os grandes; acreditam que são os grandes projetos que supostamente irão redimir e salvar o Maranhão e isso faz com que eles adotem uma estratégia de desenvolvimento totalmente dissociada da maioria da sociedade. Tanto é que as zonas mais dinâmicas da economia maranhense votaram pela mudança, ou em mim ou no Jackson (Lago, ex-governador e candidato do PDT); não votaram nela. Seus votos são essencialmente da máquina, do abuso do exercício do poder político e econômico. Passadas as eleições, creio que – até pela cobertura que a imprensa nacional fez – a direção nacional do PT reposicionará sua tática em relação ao Maranhão e tentará, progressivamente, a partir do próximo governo – que espero ser o da Dilma – fazer com que haja maior respeito pelas forças progressistas, democráticas e populares do Maranhão.
Vermelho: Apesar de conhecer o Maranhão, suas andanças pelo estado durante a campanha te mostraram algo que te surpreendeu?
FD: A campanha é uma imensa escola, é como se fosse uma pós-graduação intensiva em política. Este é o lado indiscutivelmente positivo. Hoje, me sinto mais preparado, mais qualificado, mais apto a ajudar a exercer um papel de mudança no Maranhão justamente por este aprendizado. Para mim, campanha tem dois aspectos a serem destacados. Um deles é o aprofundamento do conhecimento das realidades regionais. Na verdade, o Maranhão é um estado muito grande, tem 331 mil quilômetros quadrados e regiões com dinâmicas muito próprias, como se tivéssemos muitos estados dentro de um só. E na medida em que visitamos as comunidades, dialogamos mais e distinguimos mais claramente essas singularidades microrregionais.
E há, também, um saldo emocional da campanha. É inevitável não se emocionar com as inaceitáveis injustiças que marcam o cotidiano dos maranhenses. Atravessar uma campanha dessas nos deixa mais indignados. Vi muita pobreza, exclusão, negação de direitos que, evidentemente, eu sabia que existiam, mas uma coisa é o saber teórico, outra coisa é o contato prático, vivo, com essas pessoas. Por tudo isso, sinto-me ainda mais motivado porque não se trata apenas de racionalizar uma realidade social, mas também de sentir as dores do povo como dores suas, se indignar, saber que aquilo pode e deve ser diferente e transformar essa indignação em energia criativa e transformadora. E essa é uma atitude, sobretudo, política, porque nos faz mover forças que consigam transformar esse sentimento de indignação em transformação concreta. Lógico que gostaríamos muito de ter ganhado – e os militantes, em geral, heróis anônimos da luta pela democracia, mereciam essa vitória. E é lógico também que a derrota deixa um travo amargo na boca, superado por essa leitura de que a vida continua. Nós continuamos com a nossa ação política e no meu caso particular, sinto-me mais qualificado. Precisamos extrair lições de tudo isso, sem perder a motivação.
Vermelho: Como será a atuação de Flávio Dino e do PCdoB local no segundo turno?
FD: Evidentemente, mantemos nossa posição política, apesar da situação indesejável que se criou. Não podemos perder a perspectiva política mais geral do que é melhor para o Brasil. Por isso é que na entrevista que dei já no dia seguinte ao segundo turno, eu já dizia que o partido do Maranhão sempre esteve e continua estando na campanha com Dilma Rousseff.
Vermelho: Em 31 de janeiro, se encerra o seu mandato como deputado federal. Quais são seus planos para depois?
FD: Primeiro, eu lamento muito deixar a Câmara porque é um espaço de atuação política que me ensinou muito e ao qual me dediquei muito nesses últimos quatro anos. E o que sinto é, de fato, a dor de uma perda, de algo que vai deixar saudades. Agora, é preciso entender que esse “sacrifício” era necessário em razão do momento político do Maranhão. Nunca coloquei as zonas de conforto pessoal na frente da minha missão política; quando deixei de ser juiz, foi em razão disso. Renunciei a um cargo que me trazia conforto familiar e pessoal e que exerci por 12 anos e de que gostava muito porque era necessário, na minha avaliação, ajudar a recompor o quadro partidário no estado. Da mesma forma agora: eu poderia ter sido candidato à reeleição; muitos diziam que seria fácil – eu discordo, porque toda eleição é difícil – mas, digamos que até matematicamente seria mais fácil na medida em que para deputado federal são 18 vagas e para governador, apenas uma vaga. Mas, nunca coloquei o conforto pessoal na frente e não me arrependo disso.
O que fazer depois disso depende mais do partido do que de mim porque sou presidente estadual do PCdoB e sempre disse em meus discursos que não sou político profissional; sou advogado e professor, e sempre vivi das minhas profissões desde muito jovem. Então, a princípio é isso: retornar ao exercício das minhas profissões e aguardar outras missões políticas que serão definidas coletivamente. Não reivindico rigorosamente nada para mim porque acho que não sou credor de ninguém. Acho, na verdade, que sou devedor porque ter disputado o governo, apoiado pelo meu partido, pelo PPS, PSB e PT, é uma honra.
Destaco que o PCdoB é uma força crescente no Maranhão e tenho muita alegria de ver a quantidade de novas lideranças que se incorporam à política, vindas de outros segmentos da sociedade; isso me orgulha muito. E o PCdoB, não tenho dúvida, em razão desse excelente resultado eleitoral de 2010, sempre estará sentado à mesa das decisões políticas do Maranhão, sem hegemonismos ou exclusivismos, pelo contrário, com muita humildade valorizando os aliados. E o PCdoB sempre estará sentado à mesa do lado certo, do lado daqueles que querem a mudança, que lutam contra as injustiças, que denunciam as práticas oligárquicas, as desonestidades, porque estar sentado do lado errado dessa mesa não nos interessa; vamos continuar cumprindo este papel no estado e acreditando que nós, em conseqüência desse processo de acúmulo de forças, vamos extrair excelentes resultados eleitorais em 2012 e 2014.
Caso os detentores dos direitos autorais das músicas aqui executadas se sintam prejudicados, por favor, entrem em contato para que possamos providenciar a exclusão do post.
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