
É com prazer que divulgamos a resenha de Augusto Pelegrini sobre o festival de jazz e blues, que ocorreu em Barreirinhas, e do qual foi o apresentador oficial.
Parabenizamos a equipe organizadora do evento, desejando maior sucesso ainda na realização da segunda edição do evento.
Por Augusto Pellegrini
Parabenizamos a equipe organizadora do evento, desejando maior sucesso ainda na realização da segunda edição do evento.
Mesmo sofrendo os percalços naturais de um empreendimento pioneiro, o 1º Lençóis Jazz & Blues Festival se revestiu de sucesso. A organização, a cargo de Tutuca Viana e Ivaldo Guimarães, teve que enfrentar imensos problemas de logística em virtude das peculiaridades do evento, realizado em um confortável resort próximo à cidade de Barreirinhas. O acesso do público foi um pouco dificultado por conta da carência de uma sinalização adequada. Isto, aliado a algumas informações controvertidas sobre a venda de ingressos, resultou num público aquém do esperado, embora animado e participativo. O Resort Lençóis Maranhenses, local das apresentações possui um glamour especial por conta do seu belo visual externo, que é moderno, confortável e divertidamente decorado com galinhas de terracota. O clima estava agradável, o serviço de boa qualidade e todos os ingredientes estavam presentes para proporcionar um programa de alta qualidade. A primeira noite contou com a abertura impecável do trio de Jayr Torres, com Jayr na guitarra, Carlos Raquete no baixo e o premiado Isaías Alves na bateria. A bela apresentação do trio não chegou a ser ofuscada por alguns problemas de sonorização e por um humming constante que era perceptível durante as pausas, felizmente solucionado a tempo. O trio passeou entre o jazz convencional e algumas interessantes leituras de música maranhense inserida no jazz. Na seqüência apresentou-se o trompetista novaiorquino radicado em São Luís Jim Howard III, líder, arranjador e criador da Infinity Jazz Band. Também devido à logística, Jim não pode levar a totalidade dos seus músicos, o que de certa forma comprometeu a sua performance, pois ele teve que improvisar algumas músicas utilizando apenas um trombonista, um baixista e um baterista como combo. O punch final contou como duas saxofonistas e dois outros trompetistas quer buscaram criar um clima de big band ao sair dando voltas no meio do público durante a interpretação de “WhenThe Saints Go Marchin’ In” A noitada foi encerrada com um verdadeiro show de técnica e competência oferecido pelo performático gaitista Engels Espíritos, acompanhado pelo seu parceiro Rafa Dorneles na guitarra, ambos perfeitamente assessorados pelo não menos perfeito Carlos Pial na percussão. O trio interpretou algumas músicas do próprio Engels, numa pegada alegre e movimentada de country-blues e rhythm & blues. A segunda noite teve solucionados os problemas de sonorização e humming, e começou no embalo do blues e do rock-a-billy com o extraordinário Edson Travassos – leia-se “Manifesto Blues”, sua marca registrada – acompanhado pelos essenciais Oliveira Neto na bateria e Samy “Sam” Aranha no baixo. A banda continuou no palco para receber Jefferson Gonçalves, um gaitista completo que soma o som do blues às mais diversas correntes e nuances da música instrumental moderna, extraindo do seu instrumento muita alma e muita técnica – às vezes ele passa a impressão de que são dois gaitistas tocando melodia e harmonia ao mesmo tempo – viajando do Delta do Mississipi até a zona agreste do nordeste brasileiro (um determinado espectador mencionou que Jefferson parecia ter “duas bocas” para extrair tal som!).
Finalizando as apresentações, o percussionista Luís Cláudio brindou o público com uma excelente performance solo, tendo como apoio musical uma trilha gravada com sons que variavam do etéreo ao instrumental popular, à qual acrescentou diversos efeitos percussivos de grande riqueza sonora.