
Em geral arredio a apresentações públicas, César Teixeira fez uma belíssima aparição, ontem (27) no bar Chico Canhoto. Cantou a inteligência de suas elevadas composições, conversou com a platéia, chamou-a para acompanhá-lo em alguns momentos e continuou dando suas alfinetadas naqueles que resolvem cruzar tortuosamente seu caminho, usando da malícia e deboche. Foi quase um escracho.
Mas o que realmente salta aos olhos, ouvidos e ao que sobrou da capacidade de reflexão, é a estatura da obra desse gênio da música e da poesia que, para além de maranhense, deveria ser mesmo do mundo.
Feche os olhos e, quando se houve sua música, é como se estivesse ouvindo Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro, Noel Rosa, ou Cole Porter. E inegável a riqueza melódica e da construção dos versos de suas letras. Só que as imagens e sentidos sugerem e nos levam às esquinas mais próximas a nossa casa, aos bares, aos torresmos regados a boas goladas de cerveja, às prostitutas, ao bate papo de aparente pouca conseqüência do dia-a-dia, à crítica das figuras do mando local. Fala da gente, mas sem o ranço do provincianismo. É um construtor de grande lirismo e merecia uma maior divulgação de sua obra. Ao que saiba, gravou somente um CD. É muito pouco para o registro da produção esmerada do artista. Seria animador se ele mesmo se permitisse maior divulgação e topasse novos projetos de discos.
O Clube do Choro do Maranhão está de parabéns, entre outras, pela noite de ontem que confirmou quanto importante é reunir e apresentar o trabalho de nossos melhores artistas da música. Feito maior ainda é aproximá-los; dessas conversas poderão surgir novas criações e belezas. Mas a verdade é que o show de César não sai da cabeça.