quinta-feira, 6 de novembro de 2008

COMENTANDO ANSELMO RAPOSO



Esta reflexão vem em comentário a artigo publicado no blog de Anselmo Raposo sobre a nota de Fernando Silva, presidente em exercício do PT, que veio contribuir em bom tom ao processo eleitoral recente em São Luís.
Sou inteiramente a favor das principais conclusões da nota e questiono a posição assumida por Anselmo, que considera o governo Jackson como um governo de transição.
De todo modo, o teor da nota está publicada no endereço do blog:
http://bloguedoanselmoraposo.blogspot.com para maior juízo do leitor.
Fernando Silva coloca o governo do PDT simplesmente no lugar para aonde ele próprio se conduziu - à direita - e reconhece a força das urnas, a possibilidade de se fazer um arco político de esquerda na disputa pelo poder local.
Se havia contradição na administração estadual, essa foi logo superada pelo paulatino direcionamento das ações ao longo do governo Jackson para o atraso e para as práticas políticas denunciáveis como se presenciou, principalmente, mas não apenas, no 2º turno da eleição em São Luís.
A frase de Flávio Dino: “precisamos libertar o Governador dos tucanos” apontava naquele momento a disputa por dentro do governo pelo seu direcionamento político, visando ações propositivas e republicanas com viés de esquerda ( mostrava-lhe isso Flávio Dino a partir do respaldo popular desejando o novo, o qual foi rejeitado com a força do poder econômico e das injúrias patrocinadas pelas lideranças do governo do estado) e isso indicou os estertores de um governo de coalizão. Foi-se vencido, naquele embate, sobrando os anéis e os dedos para o PSDB. Findo o processo, ficou claro que Jackson não desejava ser salvo de nada. Estava confortável na sua escolha política à direita.
Sua opção deve ser respeitada, pois não há como voltar apeá-lo ao passado ermo de sua vida política e isso, fundamentalmente, porque o próprio homenageado não o quer. Claro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já ensinava, quando nos avisou para queimar seus livros escritos anteriormente a sua chegada à Presidência da República - mudara de opinião há muito e pedira assim para deixá-lo em paz na sua revisão política. Jackson apenas o repete sem ter a mesma grandeza de nos avisar.
Mas é a esquerda que ocupa cargos que está muito atrapalhada em desvencilhar-se do espaço que mantém no governo. Aferrou-se a ele como no último vôo do zangão.
Diga-se, de passagem, que o espaço de atuação da esquerda no governo não contribuiu em nada para aumentar a possibilidade de vitória no dia 26 de outubro. Perdeu-se de muito na contagem dos votos em bairros como a Liberdade, Monte Castelo... Só pra lembrar. E isso é um indicador de que a atuação da esquerda no governo, além de pífia, não se reveste de quase nenhum resultado objetivo, a julgar pela percepção da população daqueles bairros, que preferiu apoiar o candidato tucano no espaço urbano onde há forte atuação de obras do governo federal em consórcio ao estadual. Nada disso foi capitalizado politicamente pelos secretários de governo de esquerda de plantão ou pela turma do segundo escalão.
É hora de largar esse encosto e acreditar que grande parte da sociedade está disposta a caminhar ao lado de novas atitudes e espera isso inclusive das mentes de esquerda.
A hora é de fazer a denúncia política do governo do PDT/PSDB antes que a justiça o faça. A condenação política é muito mais conseqüente com a história de luta de PT e PC do B do que a hesitação na crença de uma possível contradição que já tem nome e endereço explicitados.

2 comentários:

Anselmo Raposo disse...

Parabéns Amigo, é com as diferenças que a gente chega lá.
Acho que meu Blog tá ficando bom.
Um abração

Celijon Ramos disse...

Obrigado, Anselmo.
Sabia que bem acolherias a crítica, mesmo que não mudes de opinião. O fundamental é exercitarmos ao máximo nosso poder de argumentação para que possamos caminhar na construção de dias melhores para nossa comunidade.
Tens razão. Teu blog está bom bom mesmo e fico feliz com que tens escrito. Estávamos calados esse tempo todo sem motivo algum, não é mesmo.
Abraços!